Cidadeverde.com

O que eu queria ganhar de presente no Dia dos Pais!!![1]

Passei os últimos dias adoentado e vez por outra chacoalhado por perguntas do tipo: Pai, de que o senhor está precisando, para ganhar no “Dia dos Pais”? Repare que o simples gesto de perguntar já coloca para quem lê o quanto fui abençoado com os filhos que tenho. É difícil, nos dias de hoje, um filho estar preocupado sequer em colocar respeito [“o senhor”] na relação com seus pais! Imaginem se preocupar com mais alguma coisa...

Não sei se estou envelhecendo mais rápido do que o simples passar dos dias, mas me aninho num sentimento que acho bobo e ao mesmo tempo me consome. Entre uma talagada e outra de xarope por uma tosse que perturba, me pego pensando no tempo passado em que os sacrifícios, sempre muito grandes, faziam da nossa casa sempre pequena e desorganizada, um lar onde crianças inebriadas pela saúde e vitalidade crescente corriam, pulavam, brincavam, gritavam, bagunçavam entre um ralhar daqui e um grito acolá...

Parecem tempos que não ganhamos mais, irrecuperáveis... Filhos saídos de casa, buscando outras experiências, desenhando seu futuro e traçando a própria vida, substituíram aqueles meninos alegres, sagazes, sempre prontos para devorar o mundo, mas que enchiam nossas vidas de uma esperança de que um dia estariam assim: prontos para voar!

Não sei se isso é alegre ou triste. Sei que fazem falta aquelas correrias, o jogo de bola, os carrinhos espalhados pela casa, o “jogueime” [videogame] badalando aqueles sons irritantes... Nossas manhãs na piscina ou jogando basquete... Realmente tempos irrecuperáveis... Mas voltando a pergunta acho que queria poder viver tudo outra vez! Queria na verdade uma máquina do tempo. Com alguns apertos de botões queria poder voar para trás e aproveitar cada momento que desperdicei. Cada minuto que requeriam da minha atenção e eu estava nas minhas infinitas demandas insólitas que me roubaram estes minutos tão preciosos de convivência de meus quatro tesouros. Queria poder voltar no tempo das festinhas da escola, nas quais meu pai quase sempre foi meu representante, porque quase sempre estava enfronhado nas salas de aula ou no meio do mato pesquisando, mundo afora.

Para quem lê esta mensagem pode até parecer que estou triste. Na verdade, estou nostálgico. E se o gênio da lâmpada me concedesse a possibilidade de escolha de um caminho, talvez tivesse trilhado o mesmo, novamente, porque, por mais ausente que tenha sido, procurei dar o melhor de mim para que nada lhes faltasse. Procurei, sobretudo, mirar-lhes o exemplo. O exemplo de probidade, de humildade, da honestidade, de disposição, de um planejamento profissional. Ainda que tenha me custado este preço de hoje, véspera do Dia dos Pais, me sentir nostálgico.

Olhem aí então meninos, aos que perguntaram e aos que não perguntaram: quero uma máquina do tempo! Mas se não tiver como adquiri-la tenho uma alternativa: sejam estas criaturas maravilhosas que amo verdadeiramente. Vocês são de um valor imensurável para mim. Longe ou perto, estão todos no meu coração. Muito obrigado por tudo o que representam para mim e pelo imenso orgulho que me dão. Especial gratidão às suas mães que, comigo, construíram esta sociedade genética que deu certo!

Dedicado a todos os meus amigos que são pais e que podem precisar um dia de uma máquina do tempo como eu! Feliz Dia dos Pais!

 

[1] Texto publicado originalmente na minha conta pessoal do Facebook em 09 de agosto de 2014. Resolvi compartilhar novamente, desta fez pelo Ciência Viva porque ele reflete o que ocorre na vida de muita gente, especialmente professores e pesquisadores: o público que lê o Ciência Viva. Feliz Dia dos Pais para todos!!!