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A Galeria

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  • CEE2.jpeg Ex-Presidentes do Conselho Estadual de Educação do Piauí
    Francisco Soares Santos Filho

Na semana passada, dia 27 de outubro, compareci na sede do Conselho Estadual de Educação do Piauí, a convite da Professora Gildete Milu, sua atual Presidente, para a reinauguração da Galeria dos Ex-Presidentes do Conselho Estadual de Educação. Após alguns anos que tinha sido elaborada, a galeria requeria uma restauração, pois alguns quadros estavam avariados em função de uma infiltração no período chuvoso.

O momento também requeria o ingresso de dois ex-Presidentes que não haviam sido “empossados” ao posto de ex-Presidente: Profª Margareth Santos e este professor que vos escreve.

Toda ida ao CEE-PI para mim é uma festa porque estive 12 anos a serviço daquela casa e sempre fui um conselheiro muito presente, apesar das outras muitas ocupações. Conheço praticamente todos os servidores e tenho amizade verdadeira com muitos dos atuais componentes da casa.

Para que o leitor do Ciência Viva compreenda: o CEE-PI é formado por pessoas que representam segmentos da educação e também pessoas de elevada capacidade técnica que sejam escolhidas pelo Governador do Estado, submetidas ao crivo da Assembleia Legislativa e depois empossadas por um mandato de quatro anos. Ao todo são 13 conselheiros titulares e três suplentes. O CEE-PI é responsável pela regulação de todo o sistema estadual de educação, compreendendo as redes públicas (ensino fundamental dos municípios que não possuem conselho municipal, ensino médio e educação profissional da Rede Estadual e mais o Ensino Superior da Universidade Estadual do Piauí) e privada (educação infantil nos municípios que não possuem conselho municipal e escolas da educação básica).

A nova galeria conta com estampas de 13 presidentes: Mons. José Luiz Cortêz (falecido), José Camilo da Silveira Filho (falecido), José Gayoso (falecido), Juraci Mendes, Iveline Prado, Eliana Sampaio, Socorro Cavalcanti, Wilson Seraine, Fonseca Neto, Maria Xavier, Carlos Alberto Pereira, Francisco Soares e Margareth Santos.

A solenidade foi bastante concorrida, com a presença de conselheiros, ex-conselheiros, servidores, professores e estudantes da Colégio Helvídio Nunes. Não se fez presente ao evento o Secretário Estadual de Educação e nem representante da pasta.

Na oportunidade fiz uma fala que reproduzo a seguir.

Boa semana para todos e todas.

 

[1]Sras. e Srs. Conselheiros e demais presentes,

 

Gostaria de agradecer este momento de júbilo no qual se reinaugura parte da memória do Conselho Estadual de Educação do Piauí, numa alusão expressa à Galeria com as estampas do ex-Presidentes desta casa, na presença das pessoas que mais se envolvem no cotidiano do Colegiado que são os seus membros e os seus servidores.

Trago todos a uma reflexão sobre o momento que vivemos, no qual a educação nunca foi tão necessária. Necessária inclusive para se entender que as trevas da falta de educação, que pareciam ter um caminho sem volta desde os tempos do Iluminismo, por algum motivo, que nos foge a lógica, sucumbiram a um mundo onde, de forma despudorada, os estúpidos voltaram à tona como bem ilustrou, pouco antes de sua morte, o gênio Umberto Eco: “As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel”. Assim, reflitamos: a educação nunca foi tão importante.

A educação precisa dar passos largos rumo à universalização e fazer sentido para os que a recebem. Estamos em um mundo em evolução, no qual a tecnologia é importante, mas não é suficiente para mover-se sozinha. Precisa do componente principal que é o humano. E o humano sem a veia emancipatória da educação não passa de um animal como outro qualquer.

Vivemos um momento no qual, em escala mundial, defendem-se reformas na educação. O que foi definido desde 2011 pelo educador finlandês Pasi Sahlberg como Global Educational Reform Movement – o GERM ou Movimento Global de Reforma Educacional, bem representado pela sigla em inglês, que remete a uma “contaminação” necessária, muito mais tangida pela corrida por resultados expressos nos exames de escala mundial como o PISA, do que por qualquer outra razão.

Esta contaminação pelo GERM impõe uma carga considerável aos organismos reguladores e no caso do Brasil, aos colegiados que regulamentam as regras do jogo, especialmente na concepção de novos currículos, que gerem menos do mesmo: gerem uma escola capaz de dar significado para o estudante do que o mesmo deve aprender. Neste sentido, nos debatemos quase sempre, com o “medo” do novo. O medo de ousar. De fazer diferente, de tentar e se não der certo, recuar. A escola às vezes recua antes da hora, pelo medo de ousar. O medo de fazer diferente e os resultados não alcançarem o esperado. E quem está do lado de cá do balcão, os conselheiros que analisam os novos currículos, tem que ter o espírito do desbravador, o olhar da inovação.

Aqui aprendi muito sobre ousar. Acho que alguns dos meus pareceres mostram um pouco desta ousadia. De propor o diferente, de esperar a qualidade, mas não esperar pelo mínimo.

Aprendi com cada um dos que aqui convivi que a educação tem que prover o melhor para todos, sempre. Tive, na minha caminhada aqui, exemplos fabulosos de pessoas com quem aprendi a valorizar a regulamentação da vida escolar de estudantes, aspectos da oferta da educação especial, sábias saídas para regularização de ofertas de cursos da educação básica em instituições públicas e privadas, ou da educação superior oferecida pela Universidade Estadual do Piauí. Aqui, nesta escola, aprendi o real sentido da palavra educar. Não há um só dia que as lembranças dos 12 anos que passei como conselheiro aqui não me ajudem em uma situação do meu cotidiano de professor, do meu cotidiano de cidadão, do meu cotidiano de empreendedor na área de inovação para a educação.

Fiquei bastante feliz pelo convite para estar aqui. Desejo sucesso pleno a este Conselho e aos conselheiros que hoje servem esta Casa. Agora, temos privilégio de ter como Governador um Professor. Embora, não conheça as agruras da vivência de uma sala de aula na Rede Pública, nunca tenha necessitado viver com os recursos que sustentam nossas carreiras, é conhecedor da educação de qualidade. Teve a oportunidade de ter professores capacitados e de viver o melhor dos mundos, enquanto estudante. Rogo para que tenha a sensibilidade e o discernimento de entender que este Estado só superará seus atrasos históricos se investir de verdade na Educação. E isso passa por esta Casa.

Gratidão a todos e todas.

 

 

 

 

 

[1] Fala proferida na sessão de reinauguração da Galeria do Ex-Presidentes do Conselho Estadual de Educação do Piauí, lida no dia 27 de outubro de 2022.