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Floresta fóssil de Teresina: o tempo não pára (II)

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Teresina está assentada sobre a Formação Geológica Pedra de Fogo. Esta é uma das existentes na Bacia do Rio Parnaíba. A formação tem idade permiana (entre 298 e 250 milhões antes do presente). A bacia se estende por várias áreas próximas de Teresina, como Timon (MA) e municípios antes considerados território da Capital, como Nazária, Demerval Lobão, Beneditinos e Monsenhor Gil, todos no Piauí.

Nesta formação, além da Floresta Fóssil comentada no post anterior, são encontradas também outras evidências de seres vivos como Estromatólitos (aglomerados registrados em rochas com resquícios de microorganismos que viveram no passado), esteiras algálicas (formadas por algas, organismos típicos de ambiente marinhos), peixes, anfíbios e répteis.

Em 2015 foi publicado na revista britânica Nature artigo de pesquisadores liderados pelo professor da Universidade Federal do Piauí, Juan Cisneros, contando mais uma novidade da Formação Pedra de Fogo. Foram encontrados fósseis de três anfíbios e um réptil da época do Permiano. As prospecções dos fósseis foram feitas na cidade de Timon (MA), Nazária e Monsenhor Gil (PI).

A investigação permitiu que se descobrisse que dois dos fósseis animais encontrados são completamente novos para a ciência. A equipe inclusive utilizou nomes com base na localização dos fósseis. Um deles o Timonya anneae, em homenagem ao município de Timon, onde foi encontrado e o outro Procuhy nazariensis, aludindo à Formação Pedra de Fogo (em linguagem Timbira, Prôt = sapo e cuhy = fogo, ‘sapo da formação pedra de fogo’) e nazariensis em referência ao município de Nazária.

O fóssil do outro anfíbio encontrado não permitiu uma identificação (se era uma nova espécie ou uma espécie já conhecida) e o fóssil do réptil foi identificado como Captorhinus aguti, uma espécie já conhecida da comunidade científica.

Os quatro fósseis são pertencentes a espécies que viviam em ambiente lacustre (lagoas) e foram conservados em rochas em três áreas da formação Pedra de Fogo. No artigo os autores chamam a atenção para o baixo interesse despertado por pesquisadores para a fauna de tetrápodes (animais de quatro patas) encontrados nesta formação geológica ao longo dos últimos 50 anos.

Vê-se que além da floresta fóssil outras riquezas também precisam ser preservadas na nossa região.