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Insulina em pó: isto já é possível?

A vida do diabético não é fácil. Além dos dissabores de não poder se alimentar do que gosta tem que enfrentar uma maratona de alimentos com adoçantes artificiais que, além de mais caros, não são a mesma coisa do açúcar.

A diabetes é uma das piores epidemias que afetam a humanidade e mata de forma torturante. Afeta a distribuição sanguínea prejudicando membros, principalmente os inferiores, o desempenho sexual, gera problemas renais, problemas cardíacos, cegueira e até problemas no sistema nervoso central.

Os portadores da Diabetes Tipo 1 necessitam complementar doses de insulina dada a deficiência na produção deste hormônio pelo pâncreas. O que é um problema a mais para crianças que precisam suportar e conviver com furadinhas diárias para uso do medicamento.

A complementação de insulina, ou insulinoterapia é usada há muito tempo. Inicialmente usava-se a insulina extraída de pâncreas de porcos. Nos anos 1970, com a advento da Engenharia Genética, foi possível inserir genes humanos para produção de insulina em uma bactéria da flora intestinal humana chamada Escherichia coli, caracterizando esta bactéria como um dos primeiros organismos transgênicos a serem usados pela humanidade (bactéria com genes humanos). A E. coli produz a insulina humana que é usada atualmente em doses injetáveis nos diabéticos tipo 1.

A prática de usar insulina injetável pode estar com os dias contados. Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Campus de Araraquara (SP), estão testando o bioprocesso de inserção do gene para produção de insulina em lactobacilos. Os lactobacilos são bactérias encontradas no leite e em alimentos lácteos e consegue permanecer mais tempo viva dentro do organismo humano do que a E. coli, especialmente na passagem pela acidez do estômago. Os testes estão conduzindo à possibilidade de se produzir a insulina em um formato que não necessite a veiculação por via injetável. A ideia é produzir a insulina em pó que pode ser diluído na água, em sucos ou outras bebidas.

A ciência brasileira está tentando melhorar a vida dos que sofrem com a diabetes.