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O Nobel de Medicina e Fisiologia foi para...

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Você já parou para se perguntar por que temos sono durante a noite e somos mais ativos durante o dia? Ou por que as corujas e morcegos são exatamente o nosso oposto: mantêm-se ativos durante a noite e ficam dormindo durante o dia?

Este fenômeno, que varia de organismo para organismo e dita uma série de comportamentos relacionados à busca pelo alimento, competição, acasalamento entre outros é chamado Ritmo Circadiano. O termo Circadiano vem do latim Circa Diem, que quer dizer “cerca de um dia”. Em uma referência clara ao comportamento fisiológico de organismos no intervalo equivalente a 24 horas.

O fenômeno nos animais é controlado por uma região cerebral próxima ao hipotálamo e se associa a fenômenos físicos como a luz. Pessoas que sofrem de insônia, por exemplo, precisam guardar uma certa distância da luminosidade se acordarem durante a noite. A interrupção do sono pode alterar, momentaneamente, este ciclo. É o que ocorre também com o fenômeno denominado Jet Lag, típico de pessoas que viajam passando por vários fusos horários, apresentando uma disritmia circadiana, um distúrbio temporário do sono.

Nas plantas a luz também interfere no ritmo: floração está vinculada às variações do tamanho do dia e tamanho da noite que se altera ao longo das estações do ano. Existem as plantas de Dia Longo (PDL) que são aquelas que respondem fisiologicamente nos períodos em que o dia é maior do que a noite (maior do que 12 horas de iluminação). E as plantas de Dia Curto (PDC) que são aquelas que respondem quando a noite é maior do que o dia (iluminação menor do que 12 horas).

Os estudos relativos ao Ritmo Circadiano, especialmente nos animais, desenvolvidos desde a década de 1980 tiveram seu devido reconhecimento na premiação do Nobel de Medicina e Fisiologia. Os norteamericanos Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W Young.

Hall e Rosbash são os responsáveis, desde a década de 1980 pelas descobertas relativas ao Gene Period, responsável por produzir uma proteína chamada PER. O acúmulo da proteína PER tem um efeito inibidor sobre a síntese realizada pelo Gene Period, gerando o que em fisiologia é chamada de Feedback negativo. Young decifrou a interação com o ciclo entre o Period e a PER e o gene Timeless que produz a proteína TIM. TIM interage com PER formando um complexo que regula a atividade do corpo. É de sua autoria a descoberta do Gene Doubletime que produz a proteína DBT responsável pela degradação da proteína PER. Este intrincado mecanismo foi comprovado como regulador do ritmo circadiano nos animais e valeu a indicação do Nobel de Medicina e Fisiologia em 2017.

Os cientistas se disseram surpresos com a escolha, pois na verdade são descobertas que tiveram início ainda na década de 1970 e ao longo do tempo vêm apenas passando por confirmações experimentais, graças às facilidades de manipulação e replicação de genes.