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Paixão pela Ciência

Na semana que passou o mundo chorou a morte do físico e cosmólogo britânico Stephen Hawking, As redes sociais foram inundadas com homenagens. Algumas homenagens, pela superficialidade do que diziam mostravam que o “homenageador” não conhecia o homenageado. Muitas críticas a estas homenagens vazias falavam inclusive da possível penalização às imagens quase sempre comoventes de uma mente brilhante presa a um corpo que sofria de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).

Homenagens e críticas à parte, percebi um comentário jocoso na mensagem deixada pelo Presidente Michel Temer que lamentou numa rede social o falecimento e foi recebido pela menção ao quase completo esvaziamento de recursos destinados ao Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Foi como se o crítico dissesse: esvaziou os recursos da pesquisa brasileira e agora presta homenagem a um cientista britânico para aproveitar a onda... Quase isso!

Chamaram-me a atenção também críticas destiladas aos recursos pagos a bolsistas e pesquisadores com alta produtividade acadêmica no Brasil: “se Stephen Hawking fosse pesquisador de ponta no Brasil estaria ganhando uma bolsa de R$ 1.500,00 e não ia ter conseguido viver até os 76 anos”. Apesar do tom jocoso, trata a passagem da mais pura verdade. Atualmente o país paga bolsas de R$ 1.500,00 para estudantes de Mestrado e R$ 2.200,00 para estudantes de Doutorado. E as bolsas de Produtividade (que apenas os melhores pesquisadores conseguem ganhar) variam de R$1.100,00 a R$ 1.500,00.

Infelizmente a pesquisa no Brasil é vista como uma despesa. Poucos são os governantes que possuem a sensibilidade de pensar os recursos para ciência, tecnologia e inovação como investimentos na inteligência e no desenvolvimento de mentes brilhantes. Ainda estamos muito longe disso.

Esta semana tive o desprazer de ler que pesquisadores lotados em instituições do Rio de Janeiro como a Dra. Eliete Bouskela, por exemplo, Coordenadora do Laboratório de Pesquisas Clínicas e Experimentais em Biologia Vascular da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) recorreu a um empréstimo pessoal, no valor de R$ 100 mil para não ter que parar suas pesquisas e perder os dados coletados até o momento. Isso é absolutamente lamentável. É um caso de paixão pelo que se faz. É um caso de paixão pela Ciência.

Até quando vamos testemunhar situações tão aviltantes quanto estas?