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Como se descobre uma nova espécie?

Como professor de biologia sempre ouvi perguntas sobre descobertas de novos seres vivos. O processo é bastante complexo e depende de um esforço muito grande de muitos pesquisadores, muito embora a colheita de frutos seja um processo bem mais restrito. Mas partindo da curiosidade infanto-juvenil: Professor como uma nova espécie é descoberta?

Quem trabalha com a pesquisa de biodiversidade vive embrenhado no meio do mato ou mergulhando no fundo do mar, buscando fazer coletas de animais, plantas, algas ou fungos (e agora graças ao Governo Brasileiro, correndo o risco de pagar multas pesadíssimas – já discutimos este tema aqui no Ciência Viva. Veja: https://cidadeverde.com/cienciaviva/91711/como-destruir-a-pesquisa-em-biodiversidade-de-um-so-golpe ). A coleta é necessária. Muitas vezes este material fica acondicionado em museus, laboratórios, herbários formando coleções às vezes preservadas por muitos anos. É este material que vai virar fonte de pesquisa para descoberta de uma nova espécie.

Os estudos de graduação ou pós-graduação nas áreas afins da biodiversidade (zoologia, botânica, ficologia, micologia, microbiologia etc.) trabalham com esta matéria-prima (organismos coletados). À medida que o estudioso avança no detalhamento do organismo, observando detalhes da sua forma (morfologia), organização interna em nível celular (anatomia), especificidades de substâncias químicas que o compõe, observação de material genético, aliados a informações sobre o ambiente em que vive, entre outros, vai gerando um conjunto de características personificadas. Quando esta caracterização está completa, ou se completando, o pesquisador passa a poder comparar com estudos feitos em organismos mais próximos. Aí começa a colheita de frutos.

Organismos identificados anteriormente, cujas informações já estejam devidamente publicadas, permitem ao novo pesquisador observar as semelhanças e dessemelhanças, até que se consiga configurar se aquele organismo estudado recentemente é similar ao já estudado ou reúne tantas diferenças ao ponto que se possa caracterizar como uma nova espécie. Com estes dados busca-se dar publicidade o máximo possível, a partir de uma descrição mínima e um novo batismo (Nome Científico).

A descoberta é passiva de discussão, especialmente no meio acadêmico, onde circulam aquelas informações. Cansou para entender como se descobre uma nova espécie? Pois é. Não é fácil mesmo!

Até o próximo post...