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Pesquisadores piauienses descobrem indicador importante para o tratamento do Calazar

Calazar é um dos nomes comuns da Leishmaniose Visceral. É uma prozoose causada pelo agente Leishmania, transmitido pela picada das fêmeas de mosquitos hematófagos (que se alimentam de sangue), especialmente do gênero Lutzomya.

A Leishmaniose Visceral é grave e provoca no paciente os seguintes sintomas: calafrios e febre alta, que vai e volta, de longa duração; aumento do abdômen, devido ao aumento do baço e do fígado; fraqueza e cansaço excessivo; perda de peso; palidez, devido a anemia causada pela doença; sangramentos mais fáceis, pela gengiva, nariz ou fezes, por exemplo; infecções frequentes, por vírus e bactérias, devido à queda da imunidade e diarreia. Existe tratamento para doença, mas em muitos casos, o uso de determinadas opções medicamentosas mostra-se ineficiente, provocando frequentes recaídas.

O uso da Mitelfosina, a única droga de administração oral, por exemplo, apresentou uma diferença de eficácia muito grande nos tratamentos realizados no Brasil, em relação à mesma opção, realizada na Índia. Aqui no Brasil, cerca de 40% dos pacientes tratados com esta droga apresentaram recaída mais ou menos seis meses após o uso da medicação. Na Índia, a mesma droga mostrou-se muito mais eficiente, com baixo índice de recaídas.

Pesquisadores das Universidade de York (EUA), Universidade Federal do Piauí (UFPI) e Universidade Estadual de Montes Claros (MG) descobriram que a baixa eficácia da droga estaria associada à resposta do agente Leishmania infantum, um dos causadores da Leishmaniose visceral, que não apresenta um conjunto de genes, quando comparado aos agentes causadores na Índia. Este rastreamento possibilitou entender as respostas ao medicamento.

 

O que muda com a descoberta?

Ao descobrir que alguns parasitas apresentam resistência a este medicamento, será possível desenvolver testes preliminares que indicarão quais seriam os caminhos medicamentosos a serem seguidos, precisando o tratamento e evitando perda de tempo em tratamentos que não sejam eficazes.

A descoberta abre uma nova perspectiva para o tratamento desta que é mais uma das chamadas doenças negligenciadas.

No Piauí, as pesquisas com Leishmania são lideradas pelo Prof. Dr. Carlos Henrique Nery Costa.