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Astronauta vai para Ciência e Tecnologia

Fechadas as urnas da eleição presidencial de 2018 iniciaram-se as especulações sobre os futuros ministros que auxiliarão o futuro presidente do Brasil. Um dos primeiros candidatos a ministro convidados foi o astronauta Marcos Pontes, exatamente para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Mas quais serão as expectativas do segmento diante da indicação?

Quem é Marcos Pontes?

Marcos César Pontes é paulista de Bauru e tem 55 anos. É engenheiro aeronáutico formado pelo Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA) e Mestrado em Engenharia de Sistemas pela Naval Postgraduate School na Califórnia (EUA). Atualmente é Tenente-Coronel da Aeronáutica e foi selecionado pela NASA para formação como astronauta e concluiu o curso em dezembro de 2000. Foi o primeiro brasileiro, sulamericano e lusófono a participar de uma missão espacial (Missão do Centenário) na Estação Espacial Internacional (ISS), em 2006.

Os reflexos da indicação na comunidade científica

O novo Ministério de Ciência e Tecnologia será muito mais importante e forte do que atual. Segundo se noticiou o novo Ministério abrigará todas as universidades brasileiras, que sairão da gestão do Ministério da Educação. O novo Ministro se deparará com uma rede gigante formada por 68 universidades distribuídas pelos 26 estados e o Distrito Federal. O principal desafio será o de lutar por um incremento no orçamento para o Ministério que, a cada corte orçamentário que afeta o país, fere de morte o sistema de ciência e tecnologia brasileiro. O atual percentual, equivalente a 1,2% do PIB, recebeu a promessa de um incremento para, pelo menos, 3%. A agregação das universidades obrigará a uma ampliação orçamentária muito maior do que do atual Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), dirigido pelo político Gilberto Kassab.

Notícias que circularam na mídia dão conta que a comunidade científica recebeu a indicação com naturalidade. Personalidades como Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e Natália Pasternak Taschner, do Instituto Questão de Ciência comentaram na imprensa nacional sobre as expectativas positivas da escolha do novo Ministro. Ambos acreditam que será necessário reduzir a burocracia para que os recursos aplicados em Ciência e Tecnologia cheguem mais rápido às bancadas de laboratório.

As últimas gestões da Ciência e Tecnologia no Brasil

O segmento da Ciência e Tecnologia, como boa parte dos Ministérios brasileiros, em geral vem sendo ocupado há muitos anos por políticos. Desde que o segmento ganhou o status de Ministério (inicialmente Ministério da Ciência e Tecnologia – 1992 a 2011; depois Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação – 2011 até 2016 e atualmente, Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações – 2016 até agora) já passaram 13 ministros, dos quais 10 tem como principal ocupação a política. As três exceções foram os ministros José Israel Vargas (químico), Marco Antonio Raupp (matemático) e Clélio Campolina Diniz (Engenheiro Mecânico). O primeiro na gestão do Presidente Itamar Franco, enquanto os outros dois na gestão da Presidente Dilma Roussef.

A presença de Marcos Pontes no Ministério, fortalecido pela escolha do Presidente eleito pode, neste momento de crise do segmento, significar aquela luz no fim do túnel que tanto esperamos

Em tempo: importante ressaltar que esta análise encontra-se isenta de paixões políticas, sendo absolutamente técnica.