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Vida selvagem: a cobra-coral

Um dia desses uma cobra coral foi notícia no Portal CidadeVerde por ter aparecido em um apartamento do térreo em um condomínio na zona urbana da cidade de Teresina, reveja aqui.

Conversando com a jornalista esclareci que estas cobras são bastante encontradas aqui na região de Teresina, onde existem também as falsas-corais, cobras que carregam um padrão de coloração semelhante, mas que não são peçonhentas como as chamadas corais verdadeiras.

De acordo com site www.herpetofauna.com.br especializado em répteis existem 32 espécies de corais verdadeiras e 52 espécies de falsas-corais (veja). As trinta e duas espécies pertencem a uma única família Elapidae, considerada a que reúne as cobras mais venenosas do mundo. No Brasil apenas o gênero Micrurus reúne espécies de corais verdadeiras.

Cobra coral verdadeira (Fonte: Minas faz ciência)

O veneno das cobras corais é uma neurotoxina e os principais efeitos são visão dupla e borras, a face se apresenta alterada, dores musculares e aumento da salivação. A insuficiência respiratória pode ocorrer como complicação do acidente levando a morte.

 

Como diferenciar uma cobra coral verdadeira de uma falsa?

É senso comum que as cobras exibem diferenças importantes, especialmente no momento de se determinar quem é peçonhenta e quem não tem peçonha. Apenas para esclarecer: todas as cobras são venenosas, mas apenas uma parte delas tem a capacidade de inocular o veneno, o que convencionou-se chamar de peçonha. No Brasil existem quase 400 espécies de cobras, mas apenas cerca de 60 são peçonhentas e, portanto, consideradas perigosas.

Aprendemos na escola uma série de características que demonstram o perfil das cobras peçonhentas: cabeça triangular, cauda bruscamente afilada, pupilas em formato de fenda etc. Entretanto, existe uma gama muito grande de exceções. Dia desses um amigo me mandou a foto de uma jiboia que ele havia encontrado em seu quintal aqui em Teresina. Aí disparei: “você matou uma inocente!” Aí ele disse: “mas tinha cabeça triangular...” A jiboia é uma cobra que mata suas presas por constrição, ou seja, aperta sua presa até matar. A cobra coral, por exemplo, possui a cabeça arredondada. Então muitos destes sinais não são corretos.

Coral verdadeira atacando Cobra Coral falsa (Fonte: Youtube)

Em geral as falsas corais possuem a porção ventral de uma cor diferente dos anéis que aparecem na porção dorsal do corpo. Na imagem acima a coral que está sendo atacada é falsa e a que está atacando é verdadeira. Ficou em dúvida não espere confirmações: acione os bombeiros ou a polícia ambiental. Eles são os profissionais preparados para contenção destes animais.

Por que a coral falsa “imita” a coral verdadeira?

Na natureza é comum espécies potencialmente mais fáceis de serem predadas por serem mais frágeis imitarem espécies mais resistentes ou mais perigosas. Este é um tipo de mimetismo (imitação) chamado de Aposematismo.

Por que não devemos matar cobras?

O direito a vida é pleno. Não devemos matar porque todos tem o direito de viver. Mas dia desses disse isso das pobres aranhas caranguejeiras que tem uma aparência horripilante e são inofensivas e choveu de gente, nas redes sociais da cidadeverde.com dizendo: “então leva pra ti...” Mas estes animais exercem um importante papel no controle de outros animais. Quando um elo da cadeia alimentar é rompido há um desequilíbrio ecológico muito grande. Quer um exemplo disso: o acidente do rompimento da barragem de rejeitos de Mariana jogou um volume imenso de poluição na bacia do rio Doce. Uma mortandade de animais imensurável. Há uma hipótese sendo investigada que o retorno de doenças como a Febre Amarela em áreas onde a doença havia sido erradicada atribuída ao acidente. Na cadeia alimentar os pequenos anfíbios (sapos, rãs, pererecas) se alimentam de insetos vetores desta e de outras doenças. Quem está sofrendo com isso tudo?

Até o próximo post...