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Darwin: de naturalista a defensor da liberdade

Na semana passada resolvi comentar sobre a Teoria da Evolução, objeto de uma discussão de ineptos sobre o tema. Na produção do texto, como é de praxe, faço leituras sobre o assunto e uma conversa puxa a seguinte, e assim se constrói o Ciência Viva.

Hoje resolvi falar mais um pouco sobre o naturalista inglês Charles Darwin. Além de um dos autores da Teoria da Evolução e da Teoria da Seleção Natural, Darwin foi um cientista notável. Sem vínculos com instituições de pesquisa, o naturalista inglês investia recursos de sua família para sustentar sua atividade científica. A riqueza vinha de uma combinação dos recursos obtidos por seu pai como médico, aliados aos recursos de uma fábrica de porcelanas do seu avô materno (chamada Josiah Wedgwood and sons) e dos investimentos que fez por ocasião da instalação da rede ferroviária da Grã-Bretanha, posto que aplicou recursos nas companhias que construíram uma das mais consolidadas malhas para circulação de trens do mundo.

Uma particularidade muito forte de Darwin que poucos conhecem foi sua luta pela libertação dos escravos. Segundo seus biógrafos, Darwin tinha verdadeira ojeriza à existência da escravidão, bastante comum na Inglaterra e nos demais países que se valiam da captura de nativos da África para esta finalidade. Um dos episódios que marca uma luta contínua pela liberdade destes povos iniciou no Brasil, quando presenciou a agressão de um escravo feita por um homem que o guiou na coleta de insetos nas matas do Rio de Janeiro. A atitude covarde do homem em bater com um chicote no rosto do escravo indignou tanto Darwin que escreveu no seu diário que nunca mais poria os pés no Brasil. Apesar de toda a biodiversidade que despertou encantamento no naturalista, numa segunda passagem pelo Brasil, cinco anos após o episódio, Darwin permaneceu embarcado enquanto a expedição passava novamente em terras brasileiras.

Em vários momentos durante sua vida, Darwin cuidou para que nada faltasse aos mais pobres que eram seus vizinhos, o que incluía escravos e não escravos. Em época de extrema crise chegou a financiar a construção de um muro somente para empregar pessoas que não tinham condições de se sustentar. Mas o episódio mais marcante desta luta pela extinção da escravidão foi o fato de Darwin, já no final de sua vida, ter financiado o episódio para derrubar um Governador-Geral da Jamaica, uma possessão inglesa na qual existiam muitos negros que sofriam com implacável tratamento dado pelo seu governante. NO fim da vida Darwin chegou a mandar dinheiro para sustentar a resistência ao governo.

Da sua epopeia como cientista, Charles Robert Darwin enfrentou (e ainda enfrenta) a ignorância de muitos que, sequer, conseguiram entender o teor de sua portentosa pesquisa. Mas seus biógrafos não deixaram de revelar o homem extraordinário que além de decifrar uma das mais polêmicas questões sobre a origem das espécies vivas, fez notáveis contribuições não somente para o aumento do conhecimento sobre o mundo natural, mas também para apaziguar questões que ainda hoje atingem a humanidade, como a pobreza e a desigualdade, situada sobre questões vinculadas ao preconceito.

Um viva a Charles Darwin!!!

Bom domingo a todos (as)...