Cidadeverde.com

Processos erosivos destroem áreas do litoral brasileiro

Em julho de 1996 viajei com a família para apresentar o mar para o meu filho caçula, prestes a completar seu primeiro ano de vida. Como todo bom piauiense, visitamos várias praias do nosso litoral, o que incluiu a Praia de Macapá, um dos cartões postais, na época ainda selvagem, do litoral do Piauí.

Na oportunidade ouvi o depoimento de um morador da região falando que o mar estava avançando e destruindo parte daquele paraíso. Alguns anos depois voltei ao lugar e parte do que conhecera já não existia mais, porque fora tragado pelo avanço do mar.

O fenômeno de modificação do recorte costeiro é chamado tecnicamente de Progradação. A progradação pode ser positiva, quando há deposição de material sedimentar, fazendo com que a praia aumente de largura, ou pode ser negativa, quando o mar avança e provoca erosão, reduzindo a largura da faixa de praia e invadindo o continente.

Quando o mar invade o continente. Fonte: www.tvi24.iol.pt.

O processo de progradação é resultado da dinâmica marinha. Tem sido estudado por pesquisadores como o geógrafo baiano Dieter Muehe que coordenou a elaboração do livro Erosão e Progradação do litoral brasileiro, publicado pelo Ministério do Meio Ambiente que concentrou estudos e mapeamentos em praticamente todos os estados brasileiros, deixando de fora apenas o litoral do Piauí (talvez por ser o menor).

A progradação é um processo que chama a atenção dos estudiosos, especialmente pela possibilidade de intensificação em razão do fenômeno de aquecimento global. Pela ideia do aquecimento global o nível dos oceanos tenderia a aumentar pelo derretimento das calotas polares, provocado pelo aumento da temperatura do planeta. A questão é polêmica e por isso suscita cuidados e olhares de especialistas do mundo inteiro.

Dada a importância da faixa litorânea brasileira, o tema já foi tratado várias vezes por pesquisadores em suas comunicações científicas e termina sendo tratado também por revistas de divulgação científica como a Pesquisa FAPESP. Semana passada um vídeo tratando sobre o tema foi disponibilizado apontando que o problema ocorre em mais de 60% da extensão do litoral brasileiro, afetando áreas de importância turística, como no caso da Ponta de Seixas, o ponto mais oriental do Brasil, situado na Paraíba.

Acompanhe o vídeo abaixo:

Até o próximo post…