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Cuidado com a Internet

Já tem um tempo considerável que professores do mundo inteiro se debatem com o uso indevido da internet. Inicialmente pelos jovens na busca por conteúdos impróprios ou inadequados, passando até por pessoas mais maduras que, na ausência de algo mais construtivo, se apropriam das redes sociais e de outros recursos da internet para fazer e propagar o indevido. Parece até exagero quando alguém envolvido com a política brasileira fala que o que catapultou o candidato de direita e permitiu que ele ascendesse ao poder “foram velhinhos que espalhavam Fake News usando redes sociais”, como apontam matérias feitas por veículos de comunicação como a BBC, publicadas no início deste ano. Quando ouvi isso pela primeira vez achei que era uma piada descabida. Mas depois passei a perceber o quanto a internet em mãos de desavisados pode desconstruir facilmente o que a ciência levou décadas para construir, por exemplo.

Mais recentemente constatou-se que o crescente movimento de pessoas que acreditam que a Terra é plana aumentou de forma exponencial graças ao algoritmo de busca do YouTube. Matéria publicada no site Hypescience (clique aqui para ver) revela que nas duas convenções que reuniram dezenas de pessoas que acreditam na folclórica versão de que a Terra é um disco achatado, cercado de montanhas de gelo por todos os lados, realizadas em 2017 e 2018, de mais de trinta participantes ouvidos, 100% tinham começado acreditar nisso a partir do ato de ter assistido vídeos que evocam este assunto no próprio YouTube.

A matéria menciona entrevista com o engenheiro francês Guillaume Chaslot, que pesquisou sobre Inteligência Artificial no seu Doutorado e trabalhou no Google. De acordo com suas informações os engenheiros do YouTube trabalham com um algoritmo que vai direcionando o usuário a partir de um perfil de preferências. O algoritmo funciona mais ou menos assim: se você buscou um vídeo sobre um humorista, por exemplo, o próximo vídeo sugerido também será de um humorista que faz o mesmo tipo de piada do que você pesquisou inicialmente. Este algoritmo funciona similarmente ao de aplicativos como o Netflix que seleciona películas com características semelhantes à de alguma que você tenha assistido anteriormente. Assim, se você pesquisou um vídeo contando que o Homem não foi a Lua, o vídeo ofertado em sequência pode ser um dizendo que a Terra é Plana. Aí para virar uma crença, tudo fica muito rápido,

O mais importante, neste caso, é trabalhar com os conceitos que a pesquisa acresceu ao conhecimento, procurando combater com veemência o Fake News e ajudando dar um fim nesta onda quase infinita de desinformação que, inclusive, tem causado outros problemas, como a “revolta” moderna das vacinas, também propagada pelas redes sociais e outros meios de que, mais causam prejuízos do que benefícios: um verdadeiro descalabro contra uma geração completa de inocentes que poderão sofrer com doenças quase extintas para a geração de seus pais, que foram vacinados, “por terem lido em algum lugar na internet”, resolveram “poupar seus filhos disso”. Um absurdo completo!

Hoje, é mais do que necessário, valorizar o conhecimento e a educação. Agora é uma questão de vida ou morte.

Boa semana para todos (as).