Cidadeverde.com

O fungo assassino

Há dois anos fiz uma leitura que me deixou perplexo sobre a capacidade do homem destruir o meio ambiente. Esta leitura foi do best-seller “A sexta extinção: uma história não natural”, da jornalista Elizabeth Kolbert. No seu texto, em linguagem bastante acessível e instigante, Kolbert vai relatando casos impressionantes de destruição da Biodiversidade.

Fonte: www.saraiva.com.br

Logo no primeiro capítulo, o livro traz o relato da destruição de algumas espécies de anfíbios, especialmente na região da América Central, onde existem florestas com forte endemismo de várias espécies de pequenas pererecas. O relato de Kolbert refere-se a existência de fungos que atacavam os anfíbios.

A revista Science da semana que passou traz uma síntese sobre os efeitos do fungo Batrachochytrium dendrobatidis (Bd), um fungo do grupo dos Quitrídiomicetos, encontrados no solo e na água doce, sendo, na sua grande maioria, inofensivos. O fungo foi responsável pela extinção de cerca de 90 espécies de pequenos anfíbios e a redução populacional de mais de 490 espécies que correm sérios riscos de se extinguirem.

O fungo cresce sobre a pele destes pequenos anfíbios, liberando toxinas que eliminam o organismo com problemas cardíacos. Mas o leitor atento poderia estar pensando: qual a culpa do homem, se é um fungo que ataca anfíbios?

A disseminação deste fungo iniciou, segundo uma síntese de todos os trabalhos de pesquisa na década de 1980, em razão do processo de comercialização de animais silvestres. A eliminação dos pequenos anfíbios se concentrou na América Central e na Austrália, principalmente. Muitas espécies de pequenos anfíbios estão em declínio e a situação não está controlada.

O homem é bem eficiente no processo de destruição da natureza. Uma pena!