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Cientista piauiense descobre padrão na ocupação das dunas

Já completaram mais de 10 anos que terminei o primeiro estudo sobre a flora litorânea do Piauí. O meu desafio iniciou em 2005 quando fui o pioneiro em decifrar algumas coisas sobre o litoral mais curto do Brasil.

De lá pra cá alguns estudos foram desenvolvidos demonstrando particularidades do litoral de 66 km que é formado por quatro municípios, mas apresenta duas formações geológicas, mesmo sendo tão pequeno. Na última segunda-feira, dia 29 de abril, mais um tijolinho foi colocado nesta construção de conhecimento.

“Comunidade pioneira de herbáceas em dunas no litoral do Nordeste: composição, estrutura, anatomia ecológica e percepção ambiental” foi o título da dissertação defendida pelo biólogo Maykon Moura do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA) da Universidade Federal do Piauí (UFPI). O trabalho enfocou um estudo das plantas que colonizam as dunas e criam condições para que outras plantas se estabeleçam.

As dunas ocupam posição de destaque no litoral nordestino setentrional, formado pelo Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte. Nas nossas praias as dunas se apresentam como móveis e isso mexe muito com a vida de quem divide espaço com elas. No seu estudo, Maykon Moura procurou fazer uma síntese de quem eram estas plantas, porque elas conseguiam ocupar estes espaços e qual a percepção da população que vive o efeito das dunas no seu cotidiano.

O estudo das plantas foi feito em quatro grandes dunas. O pesquisador descobriu que nas áreas mais perturbadas pelas pessoas o número de espécies é bem inferior, correspondendo a menos da metade das espécies que vivem nas áreas menos sujeitas a presença humana. Algumas das plantas mais frequentes exibem características que as colocam como as mais comuns no processo de ocupação e para tanto, desenvolveram características responsáveis por este sucesso. O ponto alto do estudo foi estabelecer cuidados com a percepção ambiental das pessoas sobre as dunas. A pesquisa envolveu os moradores da localidade Sobradinho, situada no município de Luiz Correia e que sofre com a movimentação das dunas.

    Banca: Prof. Denis Carvalho (UFPI), Prof. Francisco Soares (UESPI), Maykon Moura e Prof. Eduardo Almeida Jr. (UFMA). Fonte: Arquivo pessoal

 

O estudo da percepção envolveu toda a comunidade e recebeu a narrativa de moradores de até 103 anos de idade, mostrando o quanto as dunas se movimentam, comparando também imagens de satélite da área, com a explícita movimentação das montanhas de areia sobre as casas do povoado.

A pesquisa foi apresentada para uma banca formada pelo Prof. Dr. Eduardo Almeida Jr. (UFMA) e pelo Prof. Dr. Denis Carvalho (UFPI) e foi aprovada. Esta foi a primeira pesquisa, sob minha orientação, produzida no PRODEMA / UFPI.

Boa semana para todos (as).