Cidadeverde.com

"Boas novas virão", diz presidente da Aprosoja em live sobre impactos da covid-19

Foto: Reprodução

O agronegócio no Piauí é um dos poucos setores que está conseguindo sobreviver à crise econômica causada pela pandemia do coronavírus. Segundo previsão da Associação de Produtores de Soja do Piauí (Aprosoja), o setor deve responder em 2020 por até 20% do PIB do estado. O assunto foi debatido em uma transmissão ao vivo realizada pelo Cidadeverde.com nesta segunda-feira (4) mediada pelo jornalista Elivaldo Barbosa e que contou com a participação do presidente da Aprosoja, Alzir Neto; o Superintendente de Gestão da Sefaz, Antonio Luiz; o gerente executivo Estadual do Banco do Nordeste no Piauí, Mirocles Silva, além do deputado estadual Henrique Pires; do economista Fernando Galvão e do consultor de mercado, Danilo Moura.

“Representamos 10% do PIB do estado e já norteamos que, para o PIB deste ano, seremos significativos podendo chegar a mais de 20% do PIB, dependendo do que vai ser os outros setores”, disse o presidente da Aprosoja, Alzir Neto.

Segundo ele, só a soja deve produzir no Piauí cerca de 2,5 milhões de toneladas. “Nós estamos com a safra nos armazéns. O ciclo já se fehou e a gente já pode anunciar que boas novas virão. O resultado é significativo no campo. A nossa estimativa tem sido de 54,5 sacas por hectare e na projeção de 785 mil hectares, o que vai dar 2,5 milhões de toneladas de grãos de soja. Quando somar as demais culturas devemos romper a barreira de 5 milhões de toneladas. Um número robusto e que mostra o potencial do Piauí”, detalhou.

Apesar dos bons resultados, segundo Alzir, o setor ainda enfrenta grandes obstáculos para escoar a produção, como a infraestrutura. “Temos os mesmos problemas de sempre em relação a infraestrutura. A falta de estrutura é o principal gargalo para o escoamento da produção e a vinda dos insumos. É toda uma cadeia movimentada”, afirmou.

O superintendente de gestão da Sefaz, Antonio Luiz, destacou que o Estado reduziu a carga tributária beneficiando o setor. “O Piauí cresceu muito em soja e na parte das energias renováveis. Para potencializar ainda mais esse setor, o estado reduziu a parte tributária para 2%, assim como o Maranhão. Fizemos empréstimos para tratar da mobilidade urbana, mas tivemos alguns travamentos de obras. Por enquanto estamos com problemas na burocracia bancária”, destacou.

O gerente executivo do Banco do Nordeste no Piauí, Mirócles Junior, destacou que, no momento, as atenções da instituição estão voltadas para a área urbana. “As ações lançadas no combate ao coronavírus focam a área urbana. Um pacote de medidas tanto na concessão do crédito como na pactuação do crédito, que, no momento, não contemplou o agronegócio, que vai bem, obrigado. A nossa solução para o agronegócio é continuar apoiando os produtores. Queremos aprovar todas as propostas de crédito que entraram”, declarou o gerente.

Foto: Yala Sena

Jornalista Elivaldo Barbosa mediou a videoconferência

O consultor de mercado, Danilo Moura, destacou que a pandemia gera incertezas, mas ressaltou o crescimento internacional do agronegócio brasileiro. “A pandemia gera incerteza na economia, que nos trouxe um dólar muito alto. Toda incerteza traz um risco. Na perspectiva de hoje vemos um Brasil tomando muito espaço no mercado internacional na soja. São 16 milhões de toneladas exportadas. É um número muito alto”, lembra.

O deputado estadual Henrique Pires destacou a potência do Piauí no setor. “Estamos vivendo o que nunca pudéssemos imaginar. O bom é que o Brasil é quase auto suficiente nas suas produções primárias. A potência do nosso estado deixa a gente muito feliz. Na assembleia nós temos feito o possível. Eu defendo a abertura gradual da economia onde for possível.Estamos focando em ações para saúde, mas não podemos esquecer as ações para melhorar a infraestrutura”, disse.

Já o economista Fernando Galvão chamou atenção para o vazamento de renda para o exterior. “Temos muitos investimentos estrangeiros. Esses investimentos não estão ampliando a capacidade de produção da economia brasileira. Estão adquirindo estruturas existentes. Estão comprando o que já existe. Não é investimento novo. Essas empresas vão remeter seus lucros para as matrizes. Esse vazamento de renda é perigoso para o Brasil. O único setor capaz de responder atraindo dólar é o agronegócio. A fuga vai continuar, mas o agronegócio é o mais dinâmico para minimizar as grandes perdas”, afirmou.


Veja também:

Em videoconferência, BNB diz que há crédito emergencial para agricultores durante pandemia

Coronavírus: crise afeta arrecadação do estado e queda pode ser de 40% em maio

Hérlon Moraes
[email protected]