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"Estava à beira do suicídio", diz Vanusa cinco meses após a 'rehab'

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“Estava à beira do suicídio. Tomava remédio para dormir, ansiolítico, remédio para labirintite. Sou compulsiva com remédio. Graças a Deus pedi ajuda em um momento em que não tinha ainda me tornado alcoólatra”, diz Vanusa.

A fala da cantora – que passou cinco meses internada em uma clínica de reabilitação no interior de São Paulo, a qual deixou em 27 de maio – dá o tom de franqueza que permeou a conversa que a artista teve com o EGO, no apartamento em que mora sozinha na região central da capital paulista.

Fotos: Iwi Onodera / EGO
Vanusa posa em seu apartamento na região central de São Paulo

Quando foi internada, Vanusa tomava quatro comprimidos diariamente: dois de clonazepam (medicamento para dormir) mais dois ansiolíticos. Coquetel que era arrematado, pelo menos, uma vez por semana, com doses de uísque. “Saí de lá (da clínica) tomando meio clonazepam e meio ansiolítico. Foi a maior vitória e, com o tempo, vou extinguir totalmente.”

O problema de Vanusa veio à tona com dois episódios públicos. O primeiro no dia 8 de março de 2009 quando ela errou o Hino Nacional em uma solenidade na Assembleia Legislativa de São Paulo. “Foi o maior sofrimento da minha vida. Ainda não consigo ver o vídeo (no You Tube) e pretendo não tocar mais nesse assunto. Isso para mim é passado. Foi o gatilho para eu entrar nesse inferno que entrei.”

No dia 30 de novembro de 2011, a cantora teve um novo “branco” em público e se atrapalhou ao cantar o hit “Era um Garoto”, que frequenta seu repertório desde a década de 1970, em uma apresentação durante o Troféu Sexo MPB, também em São Paulo, na qual foi homenageada.

Envergonhada, ainda no palco, Vanusa revelou estar com fobia de cantar e disse que pensava em se aposentar.

“Se não tivesse tido ajuda de um amigo jornalista (que cuidou de sua internação), teria me matado. Naquele dia (depois do prêmio), peguei um táxi e fui embora sozinha. Cheguei e deitei com o vestido de paetês que estava usando. Acordei com o telefone tocando. Falei (para o amigo): ‘Ou me interno ou eu me mato’. Foi um pedido de socorro. Se não faço isso naquele dia, acho que teria dado cabo da minha vida. Eu que sempre fui uma pessoa tão amante da vida”, desabafa a cantora.

Fora da rehab, paga pelos filhos Amanda e Aretha – do casamento com o cantor Antonio Marcos (1945-1992) – e Rafael Vanucci – da união com o diretor de TV Augusto César Vanucci (1934-1992) - e por amigos, a artista revela-se cheia de planos: está planejando um novo show – que terá como ponto de partida a música “Começar de Novo”, de Ivan Lins, mais canções inéditas -, um livro sobre o reconhecimento da dependência química e o tratamento e ainda quer palestras em empresas sobre seu problema.

Além de retomar a vida, Vanusa tem um objetivo bem claro nesse momento saldar um débito de R$ 15 mil de condomínio do apartamento onde vive. “A minha intenção é começar a trabalhar o mais rápido possível para poder quitar essa dívida.”

Vanusa e o seu cachorrinho, Totó

A seguir veja trechos da conversa da artista com a reportagem:

A doença
“Minha vida estava totalmente desgovernada.Vinha tendo depressões de tempos em tempos e, cada vez, mais fortes. Da última vez já estava durando uns cinco meses. Sempre tive paixão por música, pela minha carreira. Fui perdendo toda essa paixão pela vida, por tudo. De repente era um vazio. Tomava muito remédio para dormir, tomava ansiolítico, remédio para labirintite. Sou compulsiva. Aprendi que isso é uma doença. Tomava muito remédio e ficava muito tempo sozinha. De vez em quando me dava vontade de sair. Daí chegava em uma boate, em um bar, com meus amigos, via todo mundo alegre. Estava ultra deprimida e queria ficar feliz. Tomava um uísque com copo alto com guaraná. No segundo, com uma dosezinha e cheio de guaraná, já não conseguia tomar todo e ficava bêbada. A bebida potencializava todos os remédios que eu tomava.”

Antonio Marcos
“Sempre tive bebida em casa, mas nunca bebi sozinha. Só bebia quando saía porque queria estar feliz como aquelas pessoas. Depois que estava lá dentro (da clínica) fui me lembrar do Antônio Marcos (morto em decorrência do alcoolismo aos 46 anos) e do tanto que briguei com ele, do tanto que arrumei artimanhas para ele não beber. Como é que eu não me lembrei disso? Você não tem condições de enxergar. Você só pensa em você, que sua vida acabou, que ninguém te ama, que Deus te abandonou.”
Machucados
“Meus amigos me traziam até aqui em casa, pegavam a chave e me botavam aqui dentro. Entrava, trancava a porta e caía. Andava mais um pouco e caía a todo momento, me machucava (por conta dessas quedas, a artista tem a clavícula deslocada e problemas em um dos joelhos)... No dia seguinte, vinha a ressaca moral e a física. Era uma coisa horrível, ficava na cama, tinha vergonha, não lembrava o que tinha feito, não lembrava se tinha brigado com alguém. Não tinha condições psicológicas para entender que caminhava a passos muito largos para o alcoolismo.”

Reflexões na clínica
“Tenho 43 anos de carreira e jamais tirei férias... Por que não trabalhei menos? Por que não fiquei mais com meus filhos? Tinha um medo, uma ansiedade, porque eles não tinham pai, tudo era minha responsabilidade.”

Projetos
“’Começar de Novo’ é a musica do Ivan Lins que eu amo e que cantei no dia da minha chave (cerimônia de conclusão do tratamento). Comecei a cantar e depois todo mundo me ajudou porque eu chorava feito maluca. Estou montando meu show novamente e o nome é ‘Começar de Novo’. Vou colocar essa música no repertório e estou escrevendo um livro contando essa saga. Escrevi quatro cadernos universitários espiral nos cinco meses em que fiquei na clínica.”

Assédio durante sua internação
“Estava caminhando na pista de cooper, tinha mais uma volta para fazer e decidi não fazer. Fui nadar. O portão é aberto. Se tivesse dado mais uma volta, eles (a equipe de reportagem do programa ‘Muito +’) tinham me visto... (Quando soube que havia sido procurada) Nossa senhora, eu me escondi atrás da porta do meu quarto em prantos, era um medo, um pavor. Tive uma crise nervosa, porque não queria falar com ninguém. Sofri bastante.”

Recursos
“Todos os meus amigos me ajudaram, meus filhos me ajudaram, foi uma coisa muito bonita (a pagar a internação). Todo mundo sabe que tenho uma dívida de condomínio desse apartamento de R$ 15 mil, que não tenho como pagar. Antes de eu ir para a clínica, já estava praticamente sem trabalhar. O Rafael me ajuda no que ele pode, a Aretha, a Amanda também... Mas a minha intenção é começar a trabalhar o mais rápido possível para poder quitar essa dívida porque esse apartamento foi presente do Rafael, quando ele ganhou a ‘Casa dos Artistas’. E eu amo esse apartamento. Quero ainda fazer uma reforma nele maravilhosa. Aprendi o seguinte: peço a Deus, entrego nas mãos dele e esqueço... Todas as vezes em que pedi fervorosamente ele sempre me ajudou. Vai acontecer alguma cois e eu vou conseguir esse dinheiro, vou parcelar, vou começar a trabalhar.”

Viver sozinha
“Saí da clínica com todas as ferramentas para viver uma vida sozinha ou acompanhada. Porque meu filho estava morando aqui, mas ele foi trabalhar em Goiás enquanto eu estava na clínica, eu me preparei, vou ficar sozinha, tenho meu cachorrinho... Voltei a ter contato com meus amigos, os mais chegados, então eles me visitam, a gente se fala por telefone, troca email, saí duas vezes, uma vez foi para almoçar, outra para jantar. Já corri demais, errei de mais. Não tenho mais tempo para errar.”

Memória
“Minha memória está ótima, lembro de tudo. O clonazepam afeta diretamente o cérebro e os apagões que eu tive foram em função do meu estado de depressão, mas também por causa do remédio... Tomei por uns dez anos e fui aumentando por conta própria a quantidade.”


Hino Nacional
“Comecei a uns dez anos atrás a ter pequenas depressões, foi quando eu me vi sem meus filhos, demorei a sentir que estava depressiva. Ia e vinha. O fato pior de todos foi o Hino Nacional. Nesse dia, não tinha bebido, tinha me automedicado. O combinado era que 15 dias antes da festividade, eles me avisariam porque eu queria redecorar o Hino. Não lembrava mais, cantava na escola, só que fizeram me ligaram um dia antes. Passei a noite inteira tomando guaraná em pó para não dormir, decorando feito louca. Chegou uma hora em que não aguentava mais, eram 9h da manhã. Não aguentava mais de sono e tomei calmante para dormir, foi uma mistureba total...”



Fonte: Ego
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