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Manifesto #somostodasmakellycastro quer celeridade na apuração de crimes homofóbicos

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Nesta segunda (21), amigos, parentes e entidades do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) farão um manifesto em frente a Delegacia Geral de Polícia, às 9h, na Praça Saraiva. Usando a hastag #somostodasmakellycastro, em alusão a travesti encontrada morta ontem (18) no Distrito Industrial, eles pretendem pedir mais celeridade na investigação dos casos que envolvem vítimas LGBT. 

Segundo a presidente da Articulação Piauiense de Travestis e Transsexuais, Maria Laura dos Reis, o objetivo é cobrar mais resolutividade da polícia para a resolução de casos pendentes. "Queremos providências e mais celeridade, não somente no caso da Makelly, mas em outros que aconteceram e os assassinos estão impunes. O manifesto é uma forma de fazer isso de forma mais ampla", disse. 

Ela acredita que o assassinato de Makelly Castro teve motivação homofóbica. De acordo com Laura dos Reis, a travesti não tinha envolvimento com drogas, era muito querida e não tinha inimigos. "Acreditamos que foi mais um crime motivado pela transfobia". 

A ativista lembra a morte de Makelly Castro foi a segunda registrada esse ano. Em janeiro, outra travesti, conhecida como Fernanda, foi morta na Vila Irmã Dulce. "Nesse caso acharam o culpado, mas existem outros ainda sem solução". 

Na mobilização estão sendo esperadas entidades do movimento LGBT e ainda pessoas ligadas a garantia dos direitos humanos. 

Uma das amigas de Makelly Castro, a travesti Yasmin Ferrari, publicou em sua página no facebook um desabafo pedindo que a sua morte não seja em vão: 

"Que a morte brutal da Makelly sirva para acender em todas a vontade e a disposição de lutar por mudanças reais na vida de todas para que nenhuma outra seja imolada da forma que a Makelly foi. Que sirva de exemplo e de bandeira de luta. Que ela não morra em vão. Que o monstro que a assassinou cruel e covardemente seja preso e punido dentro dos rigores da lei e que a imprensa e a sociedade não se cale perante esse absurdo. Estamos vivendo em um estado de exclusão, onde demonstrar sua sexualidade é algo tão perigoso, como no tempo da inquisição. Espero, sinceramente, que os grupos organizados de travestis e transexuais do Piauí não deixem que a menina morra em vão e passem a lutar por mais do que uma "carteirinha" com um nome social. Que exijam respeito à todas as travestis e transexuais do Brasil, pelo sangue das que morreram pela intolerância e ignorância de uma sociedade hipócrita que as exclui do dia para as assediar na noite. Justiça seja feita! Somos todos(as) Makelly Castro".

 

Por Sana Moraes (Especial para o cidadeverde.com)
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