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Zé Celso e atores do Oficina podem ser presos

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O diretor José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, e os atores Tony Reis e Mariano Mattos Martins, do Teat(r)o Oficina, podem ter prisão decretada por terem encenado uma peça de teatro.

O motivo da ação judicial é a apresentação da peça Acordes, feita na PUC-SP em 2012 pelos artistas do Oficina. A obra é baseada em texto do dramaturgo alemão Bertold Brecht.

A peça foi considerada ofensiva por um padre de Goiás, que a assistiu pelo YouTube e depois entrou na Justiça contra os artistas.

Os três atores foram intimados pela Justiça Pública a estar às 16h desta segunda (8) no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo. Esta é a segunda vez que precisam comparecer a uma audiência no local.

Os artistas do Oficina são defendidos pelos advogados Fernando Castelo Branco e Fernanda de Almeida Carneiro.

A primeira audiência foi em 5 de novembro de 2014, quando os atores se recusaram a assinar um documento de reconhecimento de culpa. Eles ouviram do promotor que estariam  “se escondendo através do teatro para dizer impropérios e incitar a violência”.

Zé Celso considerou absurda a acusação, que classificou como “um crime contra a arte do teatro”.

Entenda o caso

Segundo os artistas do Oficina, a sessão especial de Acordes na PUC-SP, da qual Zé Celso é ex-aluno, foi feita a convite de alunos, professores e funcionários que estavam em greve em 2012.

Estes se manifestavam contra a imposição do nome da professora Anna Maria Marques Cintra como reitora da instituição, já que esta havia ficado em terceiro lugar na votação com a comunidade acadêmica.

Por isso, o Oficina foi convidado para apresentar a peça que falava sobre autoritarismo e o papel popular para provocar mudanças.

Para adequar a peça ao contexto da Pontifícia Universidade Católica, Zé Celso colocou a imagem de um religioso para representar a figura do autoritarismo, na forma de um boneco parecido com o Papa Bento 16.

Na metáfora proposta pela peça, o boneco é decapitado, como forma de simbolismo da ruptura com o autoritarismo. Segundo o Oficina, a própria Reitoria autorizou a entrada do grupo na PUC.

O vídeo com a encenação foi parar no YouTube, onde o Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz, de Goiás, o assistiu e resolveu então entrar na Justiça contra o Oficina e ainda abriu um inquérito policial.

O padre utilizou o artigo 208 do Código Penal, que criminaliza o escarnecimento de alguém publicamente por motivo de crença ou culto religioso e prevê até um ano de cadeia.

Segundo o grupo, Zé Celso, Mariano e Tony afirmaram à Justiça que jamais tiveram o intuito de zombar de objetos religiosos ou escarnecer da fé católica. Explicaram  que tratava-se de uma obra de arte teatral feita em um cenário de liberdade de expressão artística, garantida pela Constituição.

Na audiência de novembro do ano passado, os atuadores do Oficina não aceitaram a proposta de acordo feita pelo representante do Ministério Público, Matheus Jacob Fialdini, que queriam que estes assumissem a culpa para encerrar o caso.

Como eles se recusaram a assinar o documento, a nova audiência desta segunda-feira foi marcada para definir a sorte dos três artistas.

O Oficina é considerado o mais importante grupo teatral do Brasil, e Zé Celso é um dos encenadores latino-americanos mais reconhecidos em todo o mundo, tendo sido perseguido, preso e exilado durante a ditadura civil-militar que vigorou no Brasil entre 1964-1985.

Fonte: R7

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