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Redes sociais deram voz a legião de imbecis, diz Umberto Eco

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Crítico do papel das novas tecnologias no processo de disseminação de informação, o escritor e filólogo italiano Umberto Eco afirmou que as redes sociais dão o direito à palavra a uma "legião de imbecis" que antes falavam apenas "em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade".

A declaração foi dada na última quarta-feira (10), durante o evento em que ele recebeu o título de doutor honoris causa em comunicação e cultura na Universidade de Turim, norte da Itália.

"Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel", disse o intelectual.

Segundo Eco, a TV já havia colocado o "idiota da aldeia" em um patamar no qual ele se sentia superior. "O drama da Internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade", acrescentou.

O escritor ainda aconselhou os jornais a filtrarem com uma "equipe de especialistas" as informações da web porque ninguém é capaz de saber se um site é "confiável ou não".

Número Zero

O escritor Umberto Eco vai lançar o seu mais recente livro: 'Número Zero'. Uma crítica violenta ao esquecimento das pessoas e ao mau jornalismo no que respeita à corrupção política e social. No romance conta a história de um jornal que servirá para pressionar, usando escândalos.

A teoria da conspiração é o prato forte do novo romance de Umberto Eco. Passa-se em 1992 para que a Internet e Berlusconi não viessem piorar o cenário em que uma redação falsa se prepara para lançar um jornal também falso. O escritor gosta do que é falso, até diz que sempre foi fascinado por isso, mas está irritado com a desatenção que os cidadãos prestam aos escândalos políticos, económicos e sociais.

Diz que a escrita deste romance o reconciliou com Milão, onde vive há 30 anos.

Na entrevista que deu ao DN garante que tudo o que conta, salvo a fantasia sobre o corpo de Mussolini, é verdadeiro, teve processos judiciais e já foi publicado: "O pior do que conto no meu romance não é o que se fez de terrível, mas que as pessoas se estejam nas tintas para todos esses acontecimentos. Vejo que tudo entra por uma orelha e sai pela outra das pessoas, como se as coisas terríveis que se passaram há 50 anos não preocupem ninguém e sejam aceites tranquilamente. Acho que ninguém me quer silenciar pois não sou Roberto Saviano, que conta segredos da mafia atuais. Eu conto coisas sobre as quais até a BBC já fez um documentário."

Fonte: Terra

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