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Promotor solicita mudanças imediatas em disciplina e estrutura do CEM

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O promotor Maurício Verdejo informou em entrevista nesta sexta-feira (31) que o Centro Educacional Masculino (CEM) deverá adotar mudanças imediatas na estrutura física e no sistema do Centro. Segundo ele, a falta de disciplina e a péssima estrutura do Centro são um absurdo e são esses os problemas que põem em risco a vida dos jovens internados.

"O problema hoje no CEM é da administração. Os adolescentes não têm farda, são pequenos detalhes que mudariam. Esses adolescentes realmente precisam de disciplina, não pode faltar curso, escola. É isso que vai ser decidido no próximo dia 21", informou o promotor em entrevista ao Jornal do Piauí.

Segundo ele, um encontro realizado entre o Ministério Público e representantes da Secretaria de Assistente Social e Cidadania (Sasc) decidiram mudanças no Centro e ele adiantou que o novo diretor, Anselmo Portela, se mostrou favorável às alterações.  

"A nova direção de início já abraçou as prioridades do MP estabelecidas na reunião do dia 20. O principal é a infraestrutura,  disciplina, colocação de colchões, pintura, questão hidráulica e implantação imediata de atividades, porque eles passam o dia todo sem fazer nada, isso é um absurdo", disse.

O promotor Maurício frisou que os menores envolvidos na morte de Gleison Vieira, 17 anos, no dia 17 desse mês, somente poderão voltar ao CEM quando as mudanças forem efetivadas. A morte do garoto deu início às discussões quanto ao sistema implantado no local e levou à exoneração do diretor Marivaldo Viana e do diretor de internação, Herbert da Cruz.

O promotor destacou que, quanto à morte de Gleison, trabalha em três frentes: uma investiga diretamente a morte do menor, outra apura a responsabilidade administrativa dos servidores quanto ao homicídio dentro da unidade e, por fim, a estrutura do CEM como um todo.

Segundo o promotor, o problema da morte de Gleison não tem a ver com as conhecidas "regras" da prisão, de que não se aceita delatores e condenados por estupro.

"O que falta é disciplina. No CEM já existem internos que respondem por crime de estupro, mas eles ficam separados. O problema foi terem colocado ele junto com os demais, sendo que desde o início se sabia do risco. Foi um erro crasso", declarou.

Ele disse ainda que a solução para o problema é implantar o uso de uniformes, garantir horários rígidos para a frequência à escola e cursos oferecidos na unidade, além de cumprimento de penas em caso de depredação da estrutura do Centro.

"Se pichar, tem que limpar ou ajudar a pintar novamente. Mesmo que hoje houvesse um novo CEM, em seis meses ele estaria do mesmo jeito, porque não há disciplina", destacou. 


Maria Romero
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