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Presidente de CPI admite que recebeu doação de aliado de Dantas, mas nega amizade

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O presidente da CPI das Escutas Clandestinas da Câmara, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), confirmou nesta quinta-feira que recebeu doação de R$ 10 mil durante a campanha eleitoral de 2006 do executivo Dório Ferman, que aparece nos registros oficiais como o dono do banco Opportunity, de Daniel Dantas. Visivelmente irritado, Itagiba disse que o fato de ter recebido a doação não significa que tenha qualquer relação de amizade com o executivo.

"Se eu recebi doação e estou investigando [o banqueiro Daniel Dantas], está demonstrada a minha isenção. O dinheiro dado à minha campanha não estabelece relação de amizade com quem fez a doação", afirmou.
 

Segundo o deputado, a doação ocorreu há dois anos, quando o executivo não era investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Satiagraha. "Até então, não havia qualquer procedimento [investigativo] sobre essa pessoa [Dório]."

Reportagem publicada hoje pela Folha afirma que Itagiba, responsável por indeferir o pedido do delegado Protógenes Queiroz para adiar seu depoimento à CPI, recebeu a doação do executivo ligado a Dantas. Preso pela Polícia Federal, Ferman foi indiciado por Protógenes no relatório final da Operação Satiagraha sob acusação de gestão fraudulenta.

Itagiba disse que Dório integra a comunidade judaica do Rio, da qual recebeu apoio durante sua campanha à Câmara. Por este motivo, segundo o deputado, o executivo teria do doado recursos para financiar a sua candidatura --uma vez que acreditava em seu trabalho. "Não recebi doação de aliados do senhor Dantas, mas uma colaboração de R$ 10 mil do senhor Dório, que faz parte da comunidade judaica", afirmou.

O presidente da CPI, que também é delegado, disse que pauta sua história profissional no "combate a qualquer tipo de ilegalidade" --o que inclui as investigações da CPI sobre a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, que decretou a prisão de Dantas.

Ligações

Segundo a reportagem da Folha, Ferman é dono de 99% das cotas do Opportunity. Para a PF, trata-se de um testa-de-ferro de Dantas --uma vez que, dos registros oficiais, Dantas não consta como dono do banco.

Ferman também aparece como sócio-proprietário da empresa Opportunity Lógica Gestão de Recursos Ltda. e passou a dirigir, em fevereiro deste ano, um novo fundo internacional criado pelo Opportunity.

Além de Itagiba, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), suplente da CPI, também teria recebido R$ 4.000 de Ferman. Jungmann afirmou que a doação ocorreu durante um jantar de apoio à sua candidatura promovido pelo ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga para reunir "amigos ligados a corretoras de valores e mercado financeiro".
 
Fonte: Folha Online
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