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Cesar Cielo está fora do Rio 2016: "Dei toda minha vida"

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Um apagão de quase uma hora no Estádio Aquático do Parque Olímpico não foi o pior dos contratempos que Cesar Cielo enfrentou nesta quarta-feira, na sua última oportunidade de se classificar para os Jogos Rio 2016. Se tivesse a chance de voltar ao passado, talvez até preferisse seguir na escuridão. Mas a luz acendeu, e o maior nadador da história do país pôde ver com clareza no telão da final dos 50m livre do Troféu Maria Lenk que, de fato, seu nome não está mais entre os maiores. Aos 29 anos, o campeão olímpico não conseguiu fazer frente a Bruno Fratus e Ítalo Manzine e está fora das Olimpíadas disputadas em casa. 

Ao sair da piscina, Cielo tentou segurar as lágrimas. Mas durou pouco tempo. Quando começou a dar entrevista, o único nadador brasileiro campeão olímpico reverenciou os dois classificados nos 50m livre e foi muito aplaudido pela torcida. Daí por diante, não conseguiu mais esconder a tristeza de perder a chance de brigar por sua quarta medalha olímpica. 
- Infelizmente, não aconteceu. O Brasil tem os dois melhores, boa sorte para eles, vou torcer o máximo que eu posso, e é isso aí. Com certeza dei toda minha vida, levei minha família para os Estados Unidos. Todo o processo da luz ter caído hoje... Tudo influência, mas não é desculpa... Eles nadaram muito, o Brasil está bem. Eu, da minha parte, vou pedir desculpa para vocês, realmente fiquei muito aquém do que sei fazer. Tive um ano difícil no ano passado, não nadei bem hoje. É muito difícil conversar do jeito que estou conversando hoje. Bola para frente, o Brasil vai bem, gente. Obrigado! (...) Eles (família) são a razão de chegar aonde cheguei, ouro olímpico, recorde mundial. Desculpa pai, desculpa, mãe. Dessa vez não deu - afirmou Cielo, em entrevista ao SporTV logo depois da prova.

Os dois representantes do país nessa prova serão Bruno Fratus, que marcou 21s50 em dezembro do ano passado no Brasileiro/Open e garantiu o ouro na final desta tarde, com 21s74, e Ítalo Manzine, vice-campeão dos 50m livre no Troféu Maria Lenk, com o tempo de 21s82. Cielo, que estava com a vaga na mão depois das eliminatórias desta quarta-feira, quando marcou 21s99, não conseguiu se manter na posição, com os 21s91 feitos na decisão. 
- Essa temporada foi algo fora do normal para mim. Fiz um acompanhamento psicológico, sabia que a pressão seria grande, teve o problema da luz, conversei com meus técnicos. A mensagem que tenho para passar é que acreditei do início ao fim. Dois anos atrás ninguém acreditava que eu poderia estar aqui. Cesar é um ídolo nacional. Tenho muito a agradecer a ele, que me ajudou muito na questão técnica, não fosse ele e o Bruno Fratus, eu não estaria aqui - disse Ítalo.

Apesar de ser um desfalque de peso, a ausência de Cielo no Rio 2016 não chega a ser uma surpresa. O nadador vem de uma temporada muito ruim, no ano passado. Na principal competição da temporada, o Mundial de Kazan, em agosto, uma inflamação no ombro esquerdo atrapalhou seus planos. Depois de ficar em sexto nos 50m borboleta, Cielo foi cortado da seleção por recomendações médicas e não chegou a brigar pelo tetracampeonato mundial dos 50m livre. Os meses seguintes foram de fisioterapia, e o retorno oficial aconteceu no Brasileiro/Open, primeira seletiva olímpica. Mesmo fisicamente recuperado, mais uma vez o campeão olímpico não completou a competição, após a decepção com seu desempenho na prova dos 100m livre. A pressão pela vaga acabou ficando para o Troféu Maria Lenk, na segunda e última seletiva, uma vez que Bruno Fratus e Ítalo Manzine já haviam feito o índice no Brasileiro/Open.


A cartada final foi uma mudança em seu treinamento. Em janeiro deste ano, foi para Phoenix, nos Estados Unidos, para voltar a treinar com o técnico americano Scott Goodrich. De lá para cá, a principal competição que disputou foi o Grand Prix de Orlando, quando fez 22s67 nas eliminatórias e 22s47 na final. No início deste mês, também tinha feito 22s28, no Meeting de Austin. Mas há um ano o campeão olímpico não nadava na casa do 21s. Depois do longo jejum, essa barreira foi quebrada nesta quarta-feira, mas não foi o suficiente para redenção do nadador.


Fonte: G1

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