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Sílvio Mendes descarta ser candidato em 2018 e avisa: 'meu tempo passou'

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O ex-prefeito de Teresina, Silvio Mendes (PSDB), anunciado nesta segunda-feira (12) como o novo gestor da Fundação Municipal de Saúde (FMS) em 2017, admitiu pela primeira vez que não pretende mais disputar um cargo político. “Nas conversas com Firmino discutimos que saúde não se mistura com política. A política é de saúde e não partidária. Eu acho que meu tempo passou. A atividade político-partidária tem seu tempo. Eu me ofereci e não fui aceito. Não tenho pretensão de ser mais candidato”, disse em entrevista ao Jornal do Piauí.

O tucano falou ainda que não pretende mudar de partido agora, e não descarta se filiar ao PP de Ciro Nogueira no futuro. “O Ciro é uma pessoa que me tornei amigo depois de ser amigo do pai dele. A amizade vem de muito tempo e eu prezo mais a amizade que a relação política. O Ciro eu aprendi a gostar dele. Tem algumas dificuldades, é um homem bem-sucedido, acho que é o maior líder do Piauí hoje, mas ele sempre foi correto comigo e não tenho nada a reclamar. Tudo tem seu tempo e vamos aguardar”, afirmou.

O gestor, que após deixar a política estava se dedicando apenas aos familiares, admitiu que não estava em seus planos voltar a ocupar um cargo público. “Não estava nos meus planos voltar. Meu plano era de continuar aposentado e cuidador de netos. Para a gente assumir e atender o convite do prefeito Firmino Filho, é preciso que se tenha um conhecimento e um propósito de servir. Caso contrário não vale a pena. A população nem acredita mais, principalmente em um país onde desde o presidente da República, o Congresso, o próprio poder Judiciário, Supremo, vive uma crise. Estamos vivendo uma crise econômica e numa situação de sofrimento e sem crença. Então, por várias reflexões e vários conselhos que recebi, eu decidi aceitar voltar por onde eu já passei”, explica.

“Eu estava vivendo o melhor período da minha vida. O tempo mais feliz da minha vida foi esse que eu perdi uma eleição, me ofereci e não fui aceito, me afastei e confesso que não via televisão, não lia jornal. Eu decidi viver a minha vida, com a minha família, viver as coisas que me dão prazer na vida pessoal. Não me arrependo. Tudo são oportunidades que surgem na vida da gente”, continuou.

Sílvio Mendes, que é médico, revelou que chegou a vender a clínica que tinha para se dedicar aos projetos pessoais. 

“A gestão pública me tomou 16 anos da minha profissão, que eu passei metade da minha vida me formando. Eu me desatualizei e cheguei à conclusão que eu não deveria mais voltar quando eu já não sou mais eficiente, como os profissionais jovens qualificados no mercado. Vendi minha clínica, não tenho mais, e investi em outras coisas pensando nos netos. É possível melhorar sempre. Eu sou do tempo dos indigentes do HGV, que não tinham direito a nada. Depois, muitas pessoas construíram o Sistema Único de Saúde, que é um patrimônio importante para a população. E esse sistema que, na lei, promete tudo, e nem sempre tudo oferece precisa respeitar o direito das pessoas”, declarou.

Sobre os desafios na FMS na próxima gestão de Firmino, Sílvio afirma que a reunificação da saúde na capital será uma  forma de economizar. 

“Quando eu passei pela fundação tinha uma secretaria e uma fundação e ficou só a fundação. Depois o Firmino dividiu em 3 órgãos. Algumas coisas foram boas e outras nem tanto e ele decidiu reunificar. A Fundação vai ser a única gestora. O SUS funciona em rede e hierarquia, não dá para dividir em 3 órgãos a mesma coisa. A mensagem está sendo encaminhada hoje.  Nós estamos em tempo de crise. Essa é uma forma de reduzir despesa em atividade meio para melhorar a atividade fim. Na gestão do Wall Ferraz, a saúde de Teresina tinha 1.056 funcionários, hoje tem mais de 11 mil. Mais da metade da despesa da folha pessoal de Teresina vai para a saúde e não está sendo suficiente”, avalia.

Sílvio defendeu uma pactuação efetiva com o Estado e municípios para o financiamento da saúde da capital. Segundo ele, se isso não for feito, todos vão perder. “Precisamos rediscutir com o estado e municípios. Todos querem oferecer melhores serviços e se não tiver pactuação perde todo mundo”, ressaltou.

Primeira medida

Sílvio revelou uma das primeiras medidas que  tomará em sua gestão: vai criar um serviço de atenção à criança da rede escolar. “Está sendo criado um serviço de atenção à criança da rede escolar pública. Antigamente, a criança que não aprendia era chamada de burra. Mas isso é dislexia e a  saúde vai tratar em parceria com a educação”, concluiu.

Hérlon Moraes
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