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Bebês com Down e pais sofrem com burocracia para cirurgia

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Francisco Yago

No Piauí, de 2014 a 2016, 10 recém-nascidos com Síndrome de Down não resistiram a espera da cirurgia para corrigir a cardiopatia congênita que os acometiam. Tudo por causa da burocracia e do não cumprimento, a tempo, das decisões judiciais que determinavam as suas transferências para hospitais de outros Estados, onde deveriam fazer a cirurgia. Só em 2016, quatro bebês morreram por causa do problema. Os dados são do Conselho Tutelar de Teresina.

Artur, com seis meses de vida, e Francisco Yago, com quatro, ambos com síndrome de Down, estão na mesma situação e aguardam a cirurgia. Os pais passam por um processo burocrático e doloroso que depende de decisões liminares.

“O médico fala que a situação vai se agravando e a minha preocupação é que ele morra, eu tenho medo, muito medo”, contou a mãe de Francisco Yago, Kelane Ximenes, em matéria do Jornal Cidade Verde deste sábado (4).

Com a deficiência cardíaca, os bebês não ganham peso, estão sempre cansados e não conseguem respirar. Os especialistas estimam o prazo máximo de dois anos para que os bebês possam fazer a operação.

O Conselho Tutelar de Teresina diz que está sempre cobrando o cumprimento das decisões e para que esses tipos de casos sejam determinados na gestação. Muitas famílias só sabem depois que a criança nasce. 

“Vamos para o Ministério Público Federal, para provocar, para que seja integrado ao sistema de justiça, e se não for, vamos sugerir a prisão do Secretário de Saúde, porque só no ano passado foram quatro mortes. Vamos esperar mais essas duas crianças morrerem?", alertou Djan Moreira, conselheiro tutelar.

Artur deveria ter feito a cirurgia com três meses a agora já tem sete. A mãe dele, Alessandra Oliveira, diz que passa por um sentimento de desespero. “Desespero, injustiça, rancor, porque a gente faz a parte da gente, mas tem toda a burocracia. Muito difícil saber que a vida do seu filho depende de um processo burocrático”, lamentou.


Artur e os pais

 

 

Lyza Freitas
[email protected]

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