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Morre Afrânio Castelo Branco, um dos maiores artistas plásticos do Brasil

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Fernando, Afrânio Castelo Branco e Cineas Santos


O Brasil perde um grande artista plástico da atualidade. Afrânio Pessoa Castelo Branco morreu nesta segunda-feira (26) em sua residência no bairro Piçarra, zona Sul de Teresina. Aos 86 anos, o artista tinha diabetes e morreu de insuficiência renal. 

Emocionado, o curador das pinturas de Afrânio, Fernando Tajra, contou ao Cidadeverde.com que ele morreu em paz.

"Estava em sua residência com todo acompanhamento médico. Morreu aos 86 anos e em paz. Deixa um legado para uma geração", disse Fernando Tajra.

No mês de fevereiro, Afrânio realizou sua última exposição em Teresina. Ele é um artista conceituados com exposições internacionais. 

O professor Cineas Santos publicou uma postagem em sua rede social destacando o trabalho do Afrânio. 

"Mais que um simples pintor, Afrânio Castelo Branco era um dos ícones da cultura piauiense. Com sua linguagem personalíssima, projetou as artes plásticas piauienses no cenário nacional. Sua ausência nos deixa mais tristes e muito mais pobres", diz Cineas Santos. Veja abaixo sua postagem na íntegra.

Fernando Tajra informou ao Cidadeverde.com que Afrânio deixou três quadros inacabados em sua residência. 

"É um artista expressionista e impressionista, premiado no mundo todo com sua arte que tem uma identidade própria", disse Fernando que trabalha há mais de 20 ano com Afrânio.

O artista plástico é irmão da escritora Nerina Castelo Branco, da Academia Piauiense de Letras. 

O velório de Afrânio acontece em sua residência na avenida Odilon Araújo, na Piçarra.

Afrânio Pessoa Castelo Branco nasceu em Teresina e se graduou na Escola Nacional de Belas Artes em 1958. Ele obteve menção honrosa no 9° Salão Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Participou de edições da Bienal Internacional de São Paulo, em 1967 e 1969. Em 1970, integrou a Coletiva de Arte Brasileira, mostra de 27 artistas que percorreu a Alemanha, Espanha, França, Holanda, Itália, Suécia e a Suíça. Entre 1972 e 1973, elabora painéis para a reitoria da Universidade Federal do Piauí e para a nova sede das Centrais Elétricas do Piauí, em 1975, elabora painéis para o Palácio da Justiça.

Veja o que escreveu Cineas Santos

SAI DE CENA O PINTOR QUE COLORIA A VIDA

Mais que um simples pintor, Afrânio Castelo Branco era um dos ícones da cultura piauiense. Com sua linguagem personalíssima, projetou as artes plásticas piauienses no cenário nacional. Sua ausência nos deixa mais tristes e muito mais pobres.
Quando a realização da exposição comemorativa dos seus 80 anos,escrevi:
AS FORMAS E AS CORES EM PESSOA
Na história das artes plásticas piauienses, 17 e março de 2011 será lembrado por acontecimento muito especial: abertura da primeira exposição realizada pelo pintor Afrânio Pessoa em Teresina. Desde o início da década de 60, Afrânio Pessoa Castelo Branco vem-se firmando como uma das figuras mais representativas das artes plásticas brasileiras. Em 1960, participou do Salão Nacional de Belas Artes e foi premiado. Ao longo de sua trajetória, expôs em várias capitais brasileiras – Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador Fortaleza – no exterior. Suas obras estão presentes nos acervos da Bienal de São Paulo, no Museu Nacional de Belas Artes ( Rio de Janeiro), no Museu de Arte Moderna da Bahia e, naturalmente, no Museu do Piauí.
Sobre a pintura multifacetada de Afrânio, muitos críticos já se manifestaram:
A pintura de Afrânio nos prende pela fecunda imaginação que reflete: cada quadro tem sua fabulação resolvida perfeitamente, quer em termos de cor ou de composição, quer na motivação dos personagens que dão vida ao fato retratado. - Harry Lans (1966).
Uma pintura densa, espessa e atormentada, onde se impõe uma poética pessoal, individualista, voltada para dentro. Obra que contrasta violentamente com o gênero ligeirinho-decorativo-tropicalizante que costuma passar por pintura em boa parte do território nacional. Uma obra nada fácil, feita por um artista maduro, vivendo sua solidão Equador-abaixo. - Maciel Babinski (1998).
Afrânio pinta imagens oníricas, algumas de sonho, outras de pesadelos, todas, porém, ricas de poesia porque não intencionalmente folclóricas, mas cheias de cores e poesia, porque são vividas interiormente. Vera Pacheco Jordão (1972).
Pintor de alta qualidade, nome nacionalmente conhecido, festejado pela crítica especializada, Afrânio Castelo Branco possui, a meu ver, outro motivo para aplauso e louvação:refiro-me ao fato de ter permanecido em sua terra natal, na cidade de Teresina, e ali realizado sua obra admirável, dando assim ao Piauí marcante presença no panorama da plástica brasileira. Jorge Amado (1974). 
Um observador atento, ao contemplar uma tela de Afrânio Pessoa, entenderá perfeitamente a afirmação de Buffon: “O estilo é o próprio homem”. Para Afrânio, a arte de pintar nunca está dissociada do ato de viver. Vida e obra se fundem com tal intensidade como se uma não pudesse existir sem a outra. Alheio às badalações do meio artístico, sem fazer concessões às exigências do mercado, Afrânio Pessoa constrói um obra instigante sob todos os aspectos, rica e multifacetada e, principalmente, verdadeira, porque calcada nas experiências vividas.
Uma série de fatores contribuiu para que a exposição se realizasse na capital do Piauí. Afrânio está completando 80 anos de idade e, num gesto de generosidade, resolveu presentear sua cidade com uma exposição de altíssimo nível. Acrescente-se a isso o empenho dos professores: Fernando Dib Tjara (curador), Cineas Santos (organizador) e Aldenora Mesquita (madrinha). A Galeria Azurra, por seu turno, propiciou os meios para que tudo se realizasse conforme o planejado. O resultado não poderia ter sido diferente. Um fato para não ser esquecido.

 

 

Assista a última entrevista que deu a TV Cidade Verde no programa Feito em Casa

 


Flash Yala Sena
yalasena@cidadeverde.com

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