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HIV na gestação: riscos que o vírus oferece para mãe e o bebê

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Entre os anos de 2013 e 2014, a taxa de detecção de do vírus HIV caiu 5,5% no Brasil, baixando de 20,8 para 19,7 casos a cada 100 mil habitantes. Essa é a maior redução da epidemia nos últimos 12 anos. Os dados são do Boletim Epidemiológico de HIV e Aids de 2015, apresentado pelo Ministério da Saúde.
 
As estimativas apontam que 781 mil brasileiros vivem com o vírus ou a síndrome da Aids atualmente. O cenário também está melhor no que se refere à transmissão vertical, ou seja, quando a mãe passa a doença para o filho durante a gravidez.
 
Segundo o Ministério, entre 2013 e 2014, o diagnóstico de HIV/Aids nos menores de 5 anos de idade diminuiu 9,7%. Analisando o período de 2002 a 2014, a queda nessa faixa etária foi de 58,2%.
 
Apesar do cenário ser animador, a AIDS ainda deve ser encarada como uma doença muito séria e que precisa ser tratada. Até porque, com o vírus mantido sob controle, é possível levar uma vida normal. Com o tratamento adequado, ele não evolui para a síndrome que leva à perda da imunidade.

De acordo com o obstetra José Brito, o pré-natal da gestante com HIV+ é um pouco diferente, necessitando de cuidados redobrados. Além dos exames normalmente realizados durante a gravidez, o médico pode solicitar contagem de células CD4 (a cada trimestre), carga viral (a cada trimestre), função hepática e renal (mensal), hemograma (mensal).
 

“Estes exames são importante porque ajudam na avaliação, estacionamento e a indicação do esquema antirretroviral, e podem ser realizados em centros de referência do tratamento da AIDS. Nas pacientes diagnosticadas com HIV antes da gestação, estes exames devem ser solicitados conforme a necessidade” explica.
 
Todos os procedimentos invasivos como amniocentese e biópsia do vilo corial, são contraindicados porque aumentam o risco de infecção do bebê e por isso em caso de suspeita de malformação fetal, o mais indicado é a ultrassonografia e os exames de sangue. A vacina tríplice viral é contraindicada na gravidez e a febre amarela não é indicada, embora possa ser administrada no último trimestre, em caso de extrema necessidade.
 
Tratamento para AIDS e o parto
 
“Se a gestante ainda não toma medicamentos contra o HIV, deve começar a tomar entre as 14 e 28 semanas de gestação, com a ingestão de 3 remédios orais. O medicamento habitualmente mais utilizado para o tratamento da AIDS durante a gestação é o AZT, que diminui o risco de infecção do bebê. Mas quando a mulher apresenta alta carga viral e baixa quantidade de CD4, o tratamento não deve ser mantido após o parto, para evitar que a mulher desenvolva infecções graves, como pneumonia, meningite ou tuberculose” explana o obstetra.
 
Já o parto da gestante com AIDS deve ser cesariana eletiva às 38 semanas de gestação, para que o AZT possa correr na veia da paciente pelo menos 4h antes do nascimento do bebê, diminuindo assim a chance de transmissão vertical do HIV para o feto. Após o parto da gestante com AIDS, o bebê deve tomar o AZT, durante 6 semanas e a amamentação está contraindicada, devendo ser utilizada uma fórmula de leite em pó.
 
Para saber se o bebê foi contaminado com o vírus HIV, devem ser realizados três exames de sangue. “O primeiro deve ser feito entre os 14 e os 21 dias de vida, o segundo entre o 1º e 2º mês de vida e o terceiro entre o 4º e 6º mês. O diagnóstico de AIDS no bebê é confirmado quando há 2 exames de sangue com resultado positivo para o HIV”, conclui Brito.


Da Redação
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