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Em audiência, irmã diz que Iarla terminaria namoro no dia em que foi morta

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Atualizada às 11h55min

Pela primeira vez após o assassinato da filha, dona Dulcinéia Lima encontrou o ex-tenente do Exército José Ricardo da Silva Neto. Ele é acusado de matar sua então namorada Iarla Lima Barbosa em junho deste ano, após saírem de um bar localizado na zona Leste de Teresina.  

Na plateia, a mãe de Iarla rezou antes do início da audiência, que acontece na manhã desta quarta-feira (22) no Fórum Criminal, e chorou. 

O réu José Ricardo da Silva Neto acompanha a sessão de cabeça de baixa. A irmã de Iarla, que foi atingida de raspão na cabeça, foi a primeira a ser ouvida na condição de vítima. 

Mãe de Iarla se emociona durante audiência

Ao todo foram arroladas 11 testemunhas de defesa do réu e oito pelo Ministério Público. A audiência é para definir se o ex-tenente vai para júri popular ou não. O juiz Antônio Noleto e o promotor Ubiraci Rocha participam da sessão.

Durante o interrogatório, a irmã de Iarla, Ilana Lima, contou que o suspeito era muito ciumento e descreveu o que ocorreu antes dos disparos. 

"Ele tinha ciúmes de tudo, até se uma pessoa olhava para ela. Sempre tentava descobrir a senha do celular.... No dia da festa, ele disse que estava passando mal e foi buscar a gente no banheiro para ir embora. Lá fora, ele perguntou se minha irmã achava que ele era criança porque ela [Iarla] tinha dançado com todo mundo. Mas minha irmã só dançou com os nossos amigos. Logo, ele pegou a arma e disparou",  relatou a irmã de Iarla.

Término do namoro

Durante o interrogatório, a irmã chorou ao  relembrar que  Iarla confessou que ia terminar o namoro com o acusado. 

"No dia anterior  ao que aconteceu, ele dormiu com ela lá em casa. Já na manhã de domingo, minha irmã disse que ia terminar porque ele era muito ciumento, mas não sei se ela chegou a terminar", disse chorando a irmã.  Iarla e o tenente oficializaram o namoro em 12 de junho, dia dos namorados. Para celebrar a data, o acusado deu um buquê de flores para a jovem. Uma semana após, a jovem foi morta. 

Amiga que estava no carro também foi ouvida como vítima

Josiane Mesquita, amiga de Iarla que estava no carro onde ocorreu o homicídio e também foi baleada, foi a segunda pessoa a ser ouvida.   Ela - que também prestou depoimento na condição de vítima- confirmou a versão de Ilana e também chorou ao relembrar a morte. 

"Eles saíram da festa de mãos dadas....Já no carro, ele perguntou se a Iarla pensou que ele era criança e já foi atirando. Ela [Iarla]  não teve chances de falar nada", disse com lágrimas Josiane que foi atingida com dois tiros e ainda tem uma bala alojada no braço.

Salva pelo aro do sutiã

Josiane chorou também ao relembrar que, os médicos que a atenderam, informaram que se a bala não tivesse pego de raspão, ela teria morrido no local. 

"A bala do peito pegou de raspão. Os médicos falaram que se tivesse entrado, eu teria morrido. Só não entrou por conta do aro do sutiã que sacou fora. Fui salva pelo sutiã,  disse Josiane.

19 testemunhas serão ouvidas

Após ouvir as duas vítimas que sobreviveram aos disparos, o magistrado deu início ao interrogatório das testemunhas, por volta das 11h45. O primeiro a ser ouvido foi um policial militar que fez a prisão do acusado.

O julgamento deve se estender por todo o dia.

Irmã e prima homenageiam Iarla com tatuagem 

A dor pela perda da jovem Iarla Barbosa, assassinada pelo namorado em junho, ainda machuca muito os familiares. Para homenagear a jovem, a irmã e uma prima da vítima resolveram tatuar uma boneca e a assinatura de Iarla. 

"A gente era muito unida e havíamos combinado de fazer uma tatuagem para celebrar nossa amizade. Mas minha tia nunca deixou. A nossa ideia era fazer três bonequinhas em um balanço simbolizando nós três", disse a prima Glenda Barbosa. 

Com a ida precoce de Iarla, as jovens tatuaram no braço apenas uma das bonecas. “Ela vai estar sempre conosco. Não tem como não lembrar dela”, acrescenta a prima, emocionada.

 

Amigo do ex-tenente 

O amigo de Silva Neto, Arthur Rodrigues, também foi ouvido durante audiência de julgamento e instrução realizada hoje. Em depoimento, Arthur contou alguns detalhes do dia em que Iarla foi morta. Ele disse que o encontrou no apartamento, dentro do banheiro, com a arma em uma mão e um celular na outra. 

Segundo Arthur, ele perguntou por diversas vezes o que tinha ocorrido, e o ex-tenente apenas ficava repetindo que “tinha acabado com a vida dele”. Arthur também falou que o ex-tenente  estava com um ferimento a bala na perna.  

Conversando com o ex-tenente, Artur acabou descobrimento que ele tinha disparado contra Iarla, mas não tinha comentando que ela já estava morta. Silva Neto disse a ele onde estava o carro. Então, Arthur declarou em depoimento que desceu até o estacionamento, ressaltou que não interferiu na cena, olhou pela janela do carro e viu que a estudante estava debruçada e havia um tiro nas costas. Ele acionou a polícia. Posterior a isso, ele e outro PM conseguiram retornar ao apartamento e retirar a arma do suspeito. Depois, eles o levaram ao hospital.  

 

Flash Graciane Sousa
[email protected] 

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