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Dique do Parnaíba corre risco de rompimento e famílias devem ser desapropriadas

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Um relatório encomendado pela Prefeitura de Teresina a pedido do Ministério Público Estadual (MPE)  confirma que há um risco real de rompimento do dique construído no Rio Parnaíba, zona Norte de Teresina. O documento poderá colocar fim ao impasse entre a prefeitura e centenas de famílias que construíram residências nos arredores da avenida Boa Esperança, que é o próprio dique. 

A avenida nada mais é que a área conhecida como "crista" do dique e as residências construídas ao seu redor estão situadas no local conhecido como borda livre. Área onde é proibida qualquer tipo de edificação por medida de segurança.

De acordo com o gestor ambiental Leonardo Madeira, da Secretaria Municipal de Planejamento, a prefeitura fará um detalhamento e um ajuste de projeto dentro das condições atuais para calcular esse número de famílias que poderão ser desapropriadas. 

"Nesse momento nós não podemos dizer quais e quantas famílias devem ser retiradas. A informação do possível risco de rompimento nós tínhamos há bastante tempo. O documento passou por uma série de revisões até mesmo a pedido do Ministério Público, e na semana passada nós recebemos esse documento consolidado. É um documento robusto, todas as hipóteses foram estudadas e ele afirma a existência de risco sim, e uma possível desestabilização da estrutura do dique", explica o gestor.

O estudo foi feito por três especialistas com a finalidade de apresentar as questões relacionadas à segurança e estabilidade do dique do rio Parnaíba, procurando contextualizar as obras existentes e as análises dos consultores do Painel de Segurança do Programa Lagoas do Norte com as solicitações do Ministério Público Estadual, que tem um prazo de 90 dias para analisar o relatório. Segundo o engenheiro, não é possível ainda mensurar o prazo em que essas famílias devem ser removidas do local.

Leonardo Madeira acrescenta ainda que até árvores plantadas no local podem constribuir para deixar a estrutura mais frágil. "Com suas raízes ela permite um arrasto de sedimento e isso pode provocar a desestabilização dessa estrutura trazendo problemas maiores ao dique", explica. Para o engenheiro, a intervenção é necessária para evitar tragédias como o rompimento da barragem da Samarco em Minas Gerais e a de Algodões no Piauí.

"O maior desastre ambiental do Brasil foi o rompimento da Samarco, o maior desastre ambiental do Piauí foi o de Algodões. Nós não queremos ter o maior desastre ambiental de Teresina", concluiu.

Rayldo Pereira
rayldopereira@cidadeverde.com

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