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“Não esqueço ela um só segundo”, desabafa pai de menina morta pela PM

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Após cinco dias internado em observação no Hospital de Urgência de Teresina o cantor Evandro Costa teve alta neste domingo (31). Ele é pai de Emily Caetano Costa, de nove anos, morta a tiros por policiais militares na noite do Natal. Em sua primeira entrevista após deixar o hospital, ele desabafou ao Cidadeverde.com a falta da filha e seu pedido de Justiça. "Fisicamente, hoje já me sinto melhor, mas quando o assunto é minha filha estou devastado. Não esqueço ela um só segundo. Penso nela todo dia e toda hora. No abraço dela e que nunca mais vou tê-la comigo", desabafa o cantor.

Emocionado o cantor relembra com riqueza de detalhes os momentos vividos na noite de 25 de dezembro quando ao sair da casa de um amigo que estava doente, levava as filhas e a esposa para jantar. 

"Eu lembro que passei pela viatura, mas não consigo lembrar o local. Depois de cerca de quatro minutos seguindo em linha reta eu vi pelo retrovisor que a Polícia nos seguia e acelerei o carro. Minhas filhas gritaram, minha mulher gritou mas foi minha reação do momento. Eu não estava devendo nada, estava com o carro em dias e decidi não parar. Foi quando cheguei na Kennedy e segui pelo Balão do São Cristóvão. Acelerei mesmo e percebi que eles estavam na cola da gente, foi quando praticamente depois do balão eles ligaram a sirene e eu dei a seta para parar. Encostei o carro e quando estava desligando ouvi os disparos. Já senti que um pegou em mim e eu desmaiei. Quando acordei me deparei com minha filha deitada já babando, minha esposa baleada descanso do carro e os policiais chamando ela de vagabunda, mandando ela se calar, foi quando apaguei de novo", conta.

Hospedado na casa do sogro, o cantor sertanejo enfrenta agora além da dor da perda, a surdez. Sequela irreversível que sofreu após ter o ouvido esquerdo atingido com um tiro durante a abordagem da Polícia.  A bala alojada na parte óssea da sua cabeça, permanecerá com ele. "Não vou poder cantar tão cedo. Vivo da música, meus músicos dependem disso e não sei o que vou fazer daqui pra frente", afirma.

Policiais presos

O cantor comenta que se informou através da imprensa sobre a prisão e o histórico dos policiais envolvidos no crime.  Nervoso, ele desabafa sobre os envolvidos na morte de sua filha. "Eu não considero esses dois como policiais. Eles são bandidos como qualquer outro. Policial é aquele que defende. Sai de sua casa com uma arma na mão para defender o cidadão e prender bandidos.  Eles não merecem nem ver de longe essa farda. Atacaram uma família inocente e ia matar todo mundo. Eu não morri porquê Deus não quis e não era o seu plano. Não pude acompanhar o enterro d aminha própria filha. Uma pena que não exista pena de morte no Brasil", defende o pai.

Justiça

Apesar da revolta, Evandro se diz confiante na Justiça para o caso e acrescenta que espera punição severa e exemplar para os envolvidos. "Esses dois monstros fizeram isso com a minha família mas eu confio na Justiça do Piauí. Acredito em nosso governo e sei que eles não sairão impunes", pontua.

Recuperação

Abalado com os acontecimentos, Evandro diz que venderá o carro assim que recebê-lo de volta. O cantor e sua esposa também ainda não voltaram para casa depois do crime. Segundo ele, a família ainda busca forças para retomar a rotina diária. "Nosso carro precisa ser vendido. Não terei condições nem de entrar lá e nossa casa, ainda nem sabemos como vamos fazer. Não conseguimos entrar lá desde então mas precisamos aprender a viver sem nossa bebê. Minha vida nunca vai ser a mesma - minha filha não volta . Essa dor não vai passar", conclui.

Rayldo Pereira
[email protected]

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