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Delegada faz apelo para usar o botão do pânico e evitar mortes de mulheres

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A delegada Eugênia Vilela alertou que as mulheres “não tem paz nem dentro de casa nem no espaço público” e essa situação é um reflexo da cultura machista enraizada na sociedade. Para mudar esse cenário, a delegada afirmou “que precisamos mudar essa formatação da educação”. Atualmente, a delegada ocupa a diretoria de gestão interna da Secretaria de Segurança do Piauí.   

Em entrevista ao Notícia da Manhã, nesta sexta-feira (18), a delegada chamou a atenção que as mulheres, praticamente, estão sendo assassinadas dentro da própria casa, dentro de veículos, lugares que naturalmente deveriam se sentir seguras. 

Ela citou os casos de Gisleide Alves, encontrada morta ontem dentro da própria residência, no bairro Santa Fé, e relembrou os três casos de feminicídio que chocaram a população piauiense: Camilla Abreu, Aretha Dantas e Iarla Barbosa foram mortas dentro do veículo dos companheiros.  Todas mortas pelos companheiros ou ex-companheiros. 

“O que leva um homem a matar uma mulher? É a cultura machista. É a nossa forma de criação em que não nos é dado tranquilidade nem em casa e nem no público. O nosso processo de socialização, das meninas e das mulheres, diz o seguinte, nossos pais: ‘fiquem em casa porque na rua você pode ser estuprada’. Então, não nos é dado o espaço público. Nós aprendemos a ter medo do espaço público. Dizem ‘em casa você está seguro’, você acha que está protegida, mas está morrendo dentro de casa. As meninas estão sendo estupradas dentro de casa. Então, qual é o nosso espaço? Nós estamos desterritorializadas, nós não temos paz nem em casa e nem no espaço público. Qual é o nosso lugar? Nós precisamos mudar essa formatação da educação. Essa forma como nós somos educadas. É basicamente educação”, desabafou a delegada.



Salve Maria

A delegada Eugênia também ressaltou a importância do uso do Aplicativo Salve Maria (veja como baixar no vídeo acima) para salvar a vidas. Ela esclareceu que o mecanismo foi criado para que a “polícia esteja mais próxima da população” e “chegar o mais rápido possível no local onde a vítima está”, com o Botão do Pânico. Além de aumentar o número de denúncias envolvendo violência doméstica.

O Botão do Pânico  quando acionado pelo denunciante emite um ponto de localização da ocorrência para a viatura mais próxima, fazendo que os policiais cheguem o mais rápido possível até a vítima. A delegada comentou que o “aplicativo Salve Maria surgiu, exatamente, porque muitas mulheres assassinadas, mais de 80%, nunca tinham ido para uma delegacia”.

“É apelar mesmo para a sociedade, nós não temos como saber se uma mulher está em risco dentro de casa. Vocês estão vendo que os assassinatos estão, predominantemente, ocorrendo dentro de casa, dentro de um carro; em um ambiente que o agressor se sente seguro, está isolado, se sente seguro para aplicar os golpes e longe das vistas da polícia. Três mulheres foram assassinadas em Teresina dentro do carro: A Iarla, a Camilla e a Aretha. No caso da Gisleide, foi dentro de casa, na cama. Então, como é que a polícia vai ter ciência desse risco”.

“Assim como a Aretha, quando a gente passa a investigar, depois que ela é assassinada, os vizinhos sinalizam: ‘olha, nós ouvíamos rumores, ruídos’. Então porque o vizinho/vizinha não denunciou para a polícia?”, questionada, ressaltando que “o Salve Maria foi justamente para entrar na casa da pessoa, por meio do vizinho”.
 

Carlienne Carpaso
redacao@cidadeverde.com

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