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Piauí tem a menor taxa de homicídios do Nordeste, revela pesquisa do Ipea

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O Piauí registrou em 2016 a terceira menor taxa de homicídios do país e a menor do Nordeste. Foram 701 assassinatos, o que representa uma taxa de 21,8 mortes por 100 mil habitantes. Os dados foram publicados no Atlas da Violência 2018, divulgado nesta terça-feira (5). O documento é uma produção do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os estados de São Paulo (10,9) e Santa Catarina (14,2) ficaram com as menores taxas no país no ano em que o estudo foi feito.

Apesar de o índice ser considerado positivo em relação à realidade de outras unidades da federação, o Piauí vem numa escalada de crescimento de homicídios desde 2010, quando registrou uma taxa de 13,2. Em 2011 subiu para 14, chegando a 16,6 em 2012; 18,8 em 2013; 22,4 em 2014; 20,3 em 2015 e finalmente 21,8 em 2016. No período abordado pelo estudo, de 2006 a 2016, houve um aumento de 58,5% na taxa de homicídios.

Em relação ao número de homicídios, entre 2006 e 2016, os assassinatos aumentaram 67,7% no Estado. Foram 418 mortes em 2006 e 701 em 2016. (Veja tabela 2.3).

Morte de jovens

O Piauí também ficou na parte de baixo da tabela em relação à taxa de homicídios da população jovem. Foi a 4ª menor em 2016, com 45,2 mortes por 100 mil habitantes. O Estado ficou na frente apenas de Mato Grosso do Sul (40,6), Santa Catarina (27,2) e São Paulo (19) que obtiveram as menores taxas.

Violência contra negros

O Atlas mostra que em uma década (2006 a 2016) o Piauí registrou um aumento de 54,7% na taxa de homicídios contra negros. Já a taxa de homicídios contra não negros foi de apenas de 3,2% na mesma década.

Morte de mulheres

Os dados também mostram um aumento na taxa de homicídios contra as mulheres entre 2006 e 2016, chegando a 56,3% no Piauí. Só em 2016 foram 50 assassinatos, sendo que o pico da década foi registrado em 2015 com 67 mulheres mortas.

A virada de São Paulo

Com a menor taxa de homicídios do país, o estudo aponta que São Paulo continua numa trajetória consistente de diminuição de homicídios, iniciada em 2000, graças a uma política sobre o controle responsável das armas de fogo; melhorias no sistema de informações criminais e na organização policial e o fator demográfico, com a diminuição acentuada na proporção de jovens na população, além de melhorias no mercado de trabalho.

Brasil

Segundo o Atlas, o Brasil atingiu, pela primeira vez em sua história, o patamar de 30 homicídios por 100 mil habitantes. A taxa de 30,3, registrada em 2016, corresponde a 62.517 homicídios naquele ano, 30 vezes o observado na Europa naquele mesmo ano, e revela a premência de ações efetivas por parte das autoridades públicas para reverter o aumento da violência. 

Apenas entre 2006 e 2016, 553 mil pessoas perderam suas vidas devido à violência intencional no Brasil. Entre 1980 e 2016, cerca de 910 mil pessoas foram mortas pelo uso de armas de fogo no país. Uma verdadeira corrida armamentista que vinha acontecendo desde meados dos anos 1980 só foi interrompida em 2003, com a sanção do Estatuto do Desarmamento. Em 2003, o índice de mortes por armas de fogo era de 71,1%, o mesmo registrado em 2016.

Taxa de homicídios no Brasil em 2016

  1. Sergipe - 64,7
  2. Rio Grande do Norte - 53,4 
  3. Alagoas - 54,2 
  4. Pará - 50,8 
  5. Amapá - 48,7 
  6. Pernambuco  - 47,3 
  7. Bahia - 46,9 
  8. Goiás - 45,3 
  9. Acre - 44,4 
  10. Ceará - 40,6 
  11. Roraima - 39,7 
  12. Rondônia  - 39,3 
  13. Tocantins - 37,6
  14. Rio de Janeiro  - 36,4 
  15. Amazonas - 36,3 
  16. Mato Grosso - 35,7 
  17. Maranhão - 34,6 
  18. Paraíba - 33,9 
  19. Espírito Santo - 32,0
  20. Rio Grande do Sul  - 28,6 
  21. Paraná  - 27,4 
  22. Distrito Federal - 25,5 
  23. Mato Grosso do Sul - 25,0 
  24. Minas Gerais - 22,0 
  25. Piauí - 21,8 
  26. Santa Catarina - 14,2 
  27. São Paulo -  10,9 

Hérlon Moraes
herlonmoraes@cidadeverde.com

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