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Bebê que nasceu com 500g recebe alta após 6 meses em SP: "Novo começo"

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Foto: Arquivo Pessoal

"É como se estivéssemos batendo em uma porta há muito tempo, e ela finalmente se abriu. Agora, vamos entrar e seguir esse novo caminho". O sentimento é da dona de casa Cristiane Ferreira da Silva, de 40 anos, que, após longos seis meses, finalmente conseguiu levar seu bebê para casa. Com apenas 24 semanas de gestação, Felipe Augusto Ferreira da Silva nasceu pesando 510g e 26cm.

A cesariana foi feita no dia 8 de dezembro de 2017, no Complexo Hospitalar dos Estivadores, em Santos, no litoral de São Paulo. Desde então, o bebê permaneceu internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal, por ter nascido prematuro extremo. Hoje, a mãe e o pai, Vagner Ferreira, de 44 anos, querem superar todas a dificuldades vividas e começar um novo ciclo.

Felipe Augusto foi liberado na tarde de segunda-feira (11) e já está em casa com a família, que é de Cubatão (SP). Ele é o menor bebê nascido na unidade a ter alta hospitalar. Hoje, está com 2,095 kg e 41cm. "Sinto como se fosse o final de um filme. Foram muitas emoções, boas e ruins, momentos em que precisamos ter muita fé e esperança. Agora, vem um novo começo".

Depois de seis meses recebendo assistência médica 24 horas por dia, os pais de primeira viagem deverão iniciar uma nova fase e se adaptar à vida a três. Apesar de ainda sentir medo, Cristiane conta que está confiante. "O pessoal do hospital me ensinou muitas coisas, como dar banho e medicação da forma correta, porque ele ainda é muito pequeno e frágil. Tudo requer uma técnica".

O parto prematuro foi a única maneira que os médicos encontraram para que o bebê sobrevivesse. Como Cristiane apresentava um problema no sangue e na placenta, o feto não estava recebendo os nutrientes necessários para o seu desenvolvimento. Por isso, ele estava muito pequeno e magro para a idade gestacional da mãe, ficando desnutrido.

"Ele lutou dentro da minha barriga, mas chegou uma hora que não dava mais, ele não iria resistir. Apesar dos riscos, tivemos que adiantar o parto, porque era o único jeito, senão o bebê ia morrer de fome. Ele só tinha uma chance, então me apaguei a ela e mantive as esperanças", conta a mãe.

De acordo com a médica e coordenadora da UTI Neonatal e da Neonatologia do Hospital dos Estivadores, Teresa Maria Uras Belém, bebês que nascem prematuros como Felipe, com entre 24 e 26 semanas de gestação, têm alto risco de complicações relacionadas à respiração, visão e desenvolvimento neurológico.

Foto: Divulgação / Prefeitura de Santos

"O sucesso da alta de um prematuro depende de vários fatores, como a equipe, o hospital, a tecnologia e a inserção da família nos cuidados. Não adianta querer deixar os pais distantes, porque eles devem estar preparados para o momento da alta. Os bebês prematuros devem ter acompanhamento multiprofissional até os três primeiros anos de vida".

Após tanto tempo de medo e esperança, Cristiane e Vagner podem descansar o conhecer o filho. A mãe conta que a casa está mais alegre desde a chegada de Felipe. "Eu olho para ele e ainda não acredito que está aqui comigo. É um sonho realizado. Essa foi a melhor noite da minha vida. Nós vencemos a guerra, nosso ano finalmente começou".

Fonte: G1

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