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Candidato do PT acenar ao mercado seria 'o pior erro', diz Boulos

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Foto: Karime Xavier/Folhapress

(FOLHAPRESS) - Um aceno ao mercado seria "o pior erro" que Fernando Haddad (PT) "poderia cometer nesta campanha", diz Guilherme Boulos (PSOL). Com chances reais de ter um Planalto sob guarda de Jair Bolsonaro (PSL), que por pouco não liquidou a fatura eleitoral no primeiro turno, o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto foi de adversário a um dos coordenadores da campanha do PT.

O PSOL oficializou o já esperado apoio a Haddad na terça (9), para um segundo turno que será marcado por um embate "entre civilização e barbárie", Boulos diz à reportagem no comitê de sua campanha, que já começa a ser desativado, na zona oeste de São Paulo.

Repete o que virou um mantra no QG petista: Bolsonaro precisa ser enquadrado como um atentado aos valores democráticos, mas não só. "Tocar na alma" do eleitor que votou em Bolsonaro é o grande desafio que Haddad tem pela frente. E sublinhar a perda de direitos sociais é uma das vias expressas para chegar a ele.

"Ele votou pela reforma trabalhista, para congelar investimentos em saúde e educação [teto de gastos], contra a PEC das domésticas... Sem contar as declarações do seu vice, general Mourão, sobre o 13º."
O PT e também Ciro Gomes (PDT), outro nome competitivo da esquerda, que terminou o pleito com 12,5% dos votos válidos, erraram ao não pôr Bolsonaro sob tiroteio desde o primeiro momento, diz o ex-candidato.

Tamanha era sua rejeição que "houve a opção de não bater porque o tinham como adversário preferencial, e isso foi um erro".

Haddad já usufrui de boa parte do espólio lulista e tem que avançar sobre outros polos se quiser desidratar Bolsonaro, com 58% dos votos válidos, 16 pontos a mais do que o petista, segundo o Datafolha.

Mas não é se enturmando com o setor financeiro que ele vai longe, afirma Boulos. É um equívoco "achar que a ampliação necessária que tem que ser feita é pró-mercado. O mercado já tomou lado. Olha a movimentação da Bolsa. Boa parte dos grandes expoentes do mercado financeiro já estavam com Bolsonaro no primeiro turno, abandonaram o navio do [Geraldo] Alckmin".

Para o coordenador do MTST, o capitão reformado "soube surfar muito bem na etiqueta de antissistema", e a esquerda em geral "falhou em não desmitificar" esse ponto.

O candidato do PSOL terminou a corrida em décimo lugar, com 617 mil votos, bem abaixo das médias anteriores da legenda –Luciana Genro foi a opção de 1,6 milhão eleitores em 2010, e Plínio de Arruda Sampaio, quatro anos antes, na primeira eleição do PSOL, a de 886 mil. Os dois ficaram em quarto lugar.

Para o ex-presidenciável, o desempenho se deve à "eleição do voto útil", na qual muitos eleitores podiam até simpatizar com sua candidatura, mas optaram por Haddad ou Ciro por acreditarem que eles tinham chances reais de ir para o segundo turno.

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