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Papa remove dois cardeais ligados a escândalos sexuais de seu círculo de conselheiros

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Foto: Reprodução / Instagram @franciscus

O papa Francisco removeu definitivamente de seu círculo de conselheiros mais próximos dois cardeais ligados a acusações de pedofilia, anunciou o Vaticano nesta quarta-feira (12). O cardeal George Pell, 77, foi condenado na Austrália de abusos sexuais e o arcebispo emérito de Santiago, no Chile, Francisco Javier Errázuriz, 85, é suspeito de ter acobertado pedofilia cometida por um padre no seu país. Os dois altos líderes eclesiásticos faziam parte de um conselho de nove cardeais de todos os continentes, chamado C9, que aconselha o papa sobre a reforma da administração da Santa Sé.

O papa escreveu aos cardeais que deixarão o conselho para agradecer-lhes "pelo trabalho que realizaram por cinco anos", afirmou o assessor de imprensa do Vaticano, Greg Burke. Francisco já afastara Pell temporariamente há 18 meses, para que ele pudesse se defender das acusações de abusos sexuais na Justiça australiana. A imposição de segredo de justiça sobre o caso impediu que os detalhes da condenação fossem conhecidos, mas, segundo a polícia, os casos são antigos, alguns aconteceram há mais de 40 anos.

Pell permanece oficialmente à frente da Secretaria de Economia criada pelo papa para ordenar as finanças da Santa Sé. O mandato de cinco anos termina, a princípio, no final de fevereiro. Já o chileno Errázuriz é acusado por vítimas de abuso sexual de ter acobertado os atos de um padre pedófilo. 
Alguns apontam que Errázuriz prejudicou o papa ao aconselhá-lo a defender um cardeal chileno envolvido no escândalo do abuso sexual, o que teria complicado a viagem do sumo pontífice ao Chile em janeiro deste ano.

Depois de um encontro no Vaticano com Francisco, o cardeal Errázuriz anunciou em novembro que estava se retirando do C9. "Não é uma renúncia. Eu me despedi no final do período para o qual fui nomeado", declarou à época. Outro cardeal, o congolês Laurent Monsengwo, também deixará o conselho.
Ele é uma importante figura da Igreja Católica africana que desempenhou um fundamental papel político na República Democrática do Congo, onde acaba de ceder seu posto como arcebispo de Kinshasa, aos 79 anos de idade.

Os escândalos de abuso sexual, perpetrados ou ocultados pelo clero, levaram a Igreja Católica a uma crise sem precedentes na Europa, Estados Unidos, Chile e Austrália. O papa tenta conter os dados e realiza, entre os dias 21 e 24 de fevereiro, uma cúpula que debaterá o tema com a presença dos presidentes das conferências episcopais do mundo todo, especialistas e vítimas de abusos sexuais cometidos por clérigos.

"A reunião de fevereiro não resolverá todos os problemas, visto que há diversidade mundial demais na igreja. O episcopado americano, em pânico, opta por medidas radicais, enquanto os africanos não querem que se imponha nenhuma", resumiu uma fonte próxima ao papa, tentando diminuir as expectativas de avanço. 

"A 'omertá' [lei do silêncio] foi nossa cultura durante tempo demais. A reunião de fevereiro deve marcar um novo começo sobre a responsabilidade dos bispos, e inclusive sobre um novo instrumento de controle", descreveu. Até lá, a expectativa é que o papa mantenha posição dura contra os suspeitos de pedofilia.

Fonte: FolhaPress

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