Cidadeverde.com
Economia

Airbus anuncia fim da produção do A380, o maior avião do mundo

Imprimir

Foto: Reprodução / Youtube

Dias depois de a rival americana Boeing comemorar os 50 anos do legendário 747, a europeia Airbus anunciou nesta quinta-feira (14) que vai encerrar a produção do A380, o maior avião de passageiros do mundo. A decisão veio após a Emirates, maior cliente do Super Jumbo, reduzir seus pedidos do modelo e substituí-los pelos menores e mais econômicos A350 e A330neo. Hoje, a companhia de Dubai opera 109 A380, quase metade dos 251 ativos.

Segundo a Airbus, 17 aviões ainda serão produzidos -14 para a Emirates e três para a japonesa ANA, que surpreendeu o mercado ao encomendar esses modelos para rotas entre o Japão e o Havaí. "É uma decisão dolorosa para nós. Investimos muitos esforços, muitos recursos, muito suor... mas obviamente precisamos ser realistas", disse o CEO da Airbus, Tom Enders, na entrevista coletiva em que o fim do A380 foi decretado.

A notícia também é um revés para a Alemanha, onde o A380 era produzido, na fábrica de Hamburgo. A Airbus informou que vai entrar em contato com os sindicatos nas próximas semanas para definir o destino dos cerca de 3.500 funcionários potencialmente afetados. Ao ser apresentado em 2005, o A380, com capacidade para 544 passageiros no esquema padrão de três classes (que poderia chegar a 800 num esquema único de classe econômica), tirou do Boeing 747 o posto de maior avião de passageiros do mundo.

O primeiro voo ocorreu em 2007, com a Singapore Airlines -que no ano passado devolveu dois A380 que começaram a ser desmontados, em outro mau augúrio para o modelo. Estima-se que a Airbus tenha investido R$ 100 bilhões no desenvolvimento do Super Jumbo, construído para superar o 747, lançado em 1968 pela Boeing e que mudou a aviação ao popularizar as viagens intercontinentais.

Ao contrário do 747, que representou um salto de 250% na capacidade de passageiros em relação ao maior avião da época, o A380 trouxe um ganho de 35%. Lotar um voo em uma aeronave dessa envergadura na baixa temporada mostrou-se complicado. O alto consumo provocado pelos quatro motores, frente à progressiva substituição por aviões com dois motores, também pesou nas contas das companhias que operam o A380.

A Emirates, que construiu sua frota tendo o A380 e o Boeing 777 como espinha dorsal, sustentou o programa nos últimos anos, dando uma sobrevida em janeiro de 2018 ao anunciar a encomenda de mais 36 aeronaves. Mas até ela começou a trocar o Super Jumbo por aviões menores e mais eficientes. A companhia detalhou nesta quinta a encomenda de 40 A330-900neo e 30 A350-900 -com fibra de carbono na fuselagem, este é considerado o avião mais moderno do portfólio da Airbus.

"Enquanto estamos desapontados em desistir da nossa encomenda e ver que o programa não pode ser sustentado, aceitamos que esta é a realidade da situação", afirmou o chairman da Emirates, o xeque Ahmed bin Saeed al-Maktoum. Segundo a Emirates, o A380 seguirá o pilar da frota até a década de 2030.

Fonte: FolhaPress

Imprimir