Cidadeverde.com
Geral

Agrotóxico contaminou solo e afetou população, diz Semar

Imprimir

O líquido agrotóxico despejado em um terreno no bairro Lourival Parente, zona Sul de Teresina, causou danos para a população que mora na região e moradores ainda sofrem com os efeitos da contaminação do solo. O inseticida de cheiro muito forte é utilizado em pulverização de ambientes para o combate ao Aedes aegypti. O gerente de fiscalização da Secretaria de Meio Ambiente do Piauí (Semar), Renato Nogueira, informou nesta sexta-feira (1º) que o material está em processo de degradação na terra e que agora não há maiores riscos para as pessoas.  

A inalação do produto, na quantidade que foi encontrado, é capaz de provocar mal estar, dores de cabeça e ânsia de vômito. Sintomas esses que foram relatados por alguns moradores que acabaram inspirando os vapores da substância que foram levados pelo vento. Um barril com capacidade de 30 litros foi deixado no local e um morador despejou no terreno o líquido contido nele, contaminando cerca de 700 kg de terra e outros objetos que estavam no local. A área foi isolada e a Semar informou que todo material contaminado será incinerado. O gerente alertou que esse tipo de material não pode ser descartado em qualquer lugar.

“O produto atingiu uma área pequena, então o dano ambiental é relativamente pequeno. O dano provocado para a população do entorno foi maior. Foram atingidas diversas pessoas de residências próximas pelos vapores exalados pelo produto. O vapor é extremamente irritante, provoca mal estar, dor de cabeça, ânsia de vômito e hoje tivemos contato com todas as famílias que no primeiro dia se sentiram afetadas e tivemos a certeza de que o risco diminuiu bastante. Ainda existe um pequeno cheiro no local, por conta do vento. O clima quente, tem uma corrente de vento que direciona o produto para uma rua específica e nessa rua os moradores ainda sentem o cheiro, mas é eventual, depende muito da velocidade do vento”, explicou.

O gerente disse que está acontecendo um processo de degradação natural e que o produto é biodegradável na concentração que está agora, diferente do encontrado inicialmente, que estava muito concentrado. “Como já foi retirado o excedente, a parte que ficou lá está bem mais fraca, digamos assim. Essas altas temperaturas favorecem o processo de degradação. Então acreditamos que em dois ou três dias no máximo, na área não vai mais existir odor. Não cabe agora fazer mais nenhuma escavação porque não existe mais produto na fase líquida, o que temos lá são os vapores que estão dentro do solo. Então temos que aguardar esses vapores saírem”.

Renato Nogueira, afirmou que a pessoa que despejou o material o fez por falta de conhecimento e que agora ela está no local fazendo a segurança da área. De acordo com o gerente, é um micro empresário, dono de uma oficina de motos nas proximidades, e agora está sendo responsável por realizar todos os procedimentos cabíveis. “Vez por outra, essa pessoa revolve a terra para que ela possa entrar em contato com o ar para sofrer esse processo de degradação”. 

O gerente diz que o homem está colaborando bastante e que todos os procedimentos para reparar os danos são de responsabilidade dele. “Ele vai ter que dar destinação para isso, esse resíduo não pode ser enterrado, não pode ser despejado em aterros nem em lixões, tem que ser incinerado. Ele terá que incinerar cerca de 700 kg de terra que foram atingidos com o e isso vai ter um custo para ele, além dos custos que ele já teve e demonstrar para a Semar que incinerou, através de comprovações de incineradores que tem aqui na capital”.

Renato disse ainda que a Semar fez toda a avaliação do material encontrado e está investigando toda a cadeia de compra e venda do produto para descobrir quem pode ter despejado. 

 Foto: Roberta Aline/ Cidadeverde.com

Lyza Freitas
[email protected]

Imprimir