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Psiquiatras desmitificam TDAH na infância para profissionais da educação

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Fotos: Ascom Simepi

Em busca de conhecimento, profissionais da educação estiveram presentes no auditório do Sindicato dos Médicos do Estado do Piauí (SIMEPI) para participar do workshop “TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) nas escolas: da concepção à conduta”. Os médicos psiquiatras Maurício Santos, especialista na infância e adolescência e Samuel Rêgo que também é terapeuta do comportamento, estiveram à frente da temática, esclareceram dúvidas e identificaram os pontos importantes do transtorno. O curso foi gratuito com direito a certificação de 4 horas.

Dr. Maurício Santos explicou que este é o transtorno de neurodesenvolvimento mais comum de todos na infância. “Se a gente consegue dar mesmo que uma pequena ajuda nessa fase da vida, isso faz uma diferença enorme no futuro da criança. É muito importante que a gente diagnostique ainda no início da vida escolar para que o TDAH não prejudique o desempenho acadêmico, pessoal e social dela”, disse.

No último dia 07 de maio, foi aprovada a redação final do Projeto de Lei 7.081/10, que dispõe sobre o diagnóstico e tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção e Dislexia na atenção básica, na Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Uma conquista da Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA).

Esse é um projeto de lei que tramitava há dez anos em várias instâncias da Câmara dos Deputados e do Senado para garantir que crianças com TDAH e Dislexia tenham acesso a recursos pedagógicos individualizados e especializados para o problema deles e que os professores tenham oportunidades de capacitação nessa área.

“Eu costumo dizer que essas leis não eram necessárias, porque a necessidade existe na vida prática. O ideal é que o próprio sistema de ensino fosse direcionado para isso, mas assim que a Lei for sancionada, ela poderá funcionar na prática e, se sair bem do papel, os professores poderão estar mais capacitados e ter acesso a recursos pedagógicos mais apropriados para evitar problemas futuros”, comentou o médico Maurício Santos.

Compreendendo a importância na prática, e a relevância do tema para conscientização da relação do conhecimento do TDAH entre aluno e professor, o Sindicato dos Médicos do Estado do Piauí iniciou o calendário de eventos do ano de 2019 promovendo uma manhã de conhecimento e aprendizado, tendo como público alvo professores da rede pública e privada. Samuel Rêgo, palestrante e presidente do SIMEPI, enfatizou a tradição da categoria de se envolver e colaborar com assuntos sociais.

“Uma das coisas que preocupam muito hoje em dia é a violência causada por jovens e adolescentes. E o TDAH, sem dúvidas, é uma condição que está muito associada aos comportamentos disruptivos, que são comportamentos agressivos, violentos e antissociais. Se tratado na infância, pode mudar o rumo desses jovens, não beneficiando apenas eles, mas toda a sociedade”, explicou Samuel Rêgo.

Para o SIMEPI realizar esse evento inicialmente com professores, trouxe um início de entendimento na cadeia (professores, alunos e pais), pois são formadores de opinião e poderão levar adiante tudo que foi abordado no evento. Com isso, estarão mais cientes de como lidar com esses casos dentro das escolas, com os pais e crianças. Em breve acontecerão eventos nessa mesma temática voltados para a família.

Para Jeane Oliveira, professora há 15 anos, o evento foi uma excelente oportunidade para adquirir conhecimento e espera que logo o SIMEPI possa realizar outra edição com as famílias. “Muitas famílias não têm a oportunidade de aprender e saber identificar a TDAH. Eu mesmo tenho contato com famílias que passam por isso. Todos os assuntos foram importantes e vi muita coisa que não conhecia ainda. Eu estudo muito esse assunto, tanto para identificar problemas com meu filho autista e meus alunos. Graças a isso, tenho alunos que consegui identificar, pude orientar os pais, que fizeram tratamento, e hoje conquistaram uma grande melhora nos filhos”, conclui.


redacao@cidadeverde.com

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