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Argentina deve mudar a escalação pela 39ª partida consecutiva

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A cena não é nova na seleção argentina. Entra um jogador durante uma partida em que a equipe não vai bem. Este substituto faz o desempenho coletivo melhorar. Na rodada seguinte, é titular.

O meia/lateral Marcos Acuña pisou o gramado no início do segundo tempo contra o Qatar no último domingo (23), quando a seleção venceu e chegou às quartas de final da Copa América. No treino desta quarta-feira (26), no Rio de Janeiro, o jogador do Sporting (POR) ficou entre os titulares.

Na sexta (28), a Argentina enfrenta a Venezuela, às 16 horas, no Maracanã, por uma vaga na semifinal.

Se a mudança acontecer, ficará ainda mais escancarado um dos problemas da Argentina e porque o elenco não consegue se acertar em campo ou ter entrosamento. Será a 40a partida consecutiva em que o treinador não repete a escalação do compromisso anterior.

Além do meia, o técnico Lionel Scaloni ensaia mexer na defesa. O zagueiro Pezzella, deixado na reserva diante dos árabes, voltaria, mas como lateral direito, no lugar de Saravia. Foyth continuaria como parceiro de Otamendi no miolo da retaguarda.

Dos 39 jogos anteriores em que mudanças foram feitas na escalação, nem Lionel Messi foi presença constante. Ele atuou 24 vezes, sendo 23 como titular. Ficou fora por lesões, poupado por causa dos problemas com o fisco espanhol, depois de anunciar que não atuaria mais pela seleção após a Copa América de 2016 e por ter pedido tempo para pensar no futuro. 

Esta última ausência ocorreu depois da eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo do ano passado.

A última vez que a Argentina repetiu os mesmos 11 jogadores duas vezes consecutivas aconteceu na segunda rodada da Copa América de 2016, contra o Panamá.

Marcos Acuña já esteve nesta mesma situação. Ele foi uma das mudanças feitas em um momento ruim. Escalado por Jorge Sampaoli, foi deslocado para a ala esquerda no confronto com a Croácia. A derrota por 3 a 0 quase selou a eliminação argentina na fase de grupos do Mundial. O jogador não entrou mais em campo no torneio.

Depois do treino desta quarta, ele confessou se sentir mais à vontade no meio-campo. Com Sampaoli no Mundial, havia atuado em esquema 3-4-3.

Não foi o que ele disse no ano passado, quando viu a perspectiva de enfrentar os croatas.

"Posso jogar de 3", afirmou na época, citando o número usado pelo lateral esquerdo.

Não deixa de ser curioso que nos anos de jejum a vida da seleção ande em círculos. Acuña lembra a situação de Carlos Tevez em 2011 quando foi escalado nas quartas de final contra o Uruguai, apesar da oposição de vários jogadores. 

A Argentina acabou eliminada. Tempos depois, quando é lembrado da derrota nos pênaltis, o atacante reclama por ter sido escalado fora de posição e afirma que por aquele motivo não jogou bem.

O caso de Acuña não é tão dramático. Ao contrário de Tevez há oito anos, não havia o clamor popular nem o pedido de dirigentes pela sua convocação.

Também uma eventual eliminação diante dos venezuelanos não vai marcar o fim de seu ciclo na seleção, como aconteceu com o ex-corintiano. Mas serve para mostrar a busca por explicações na época das vacas magras.

Mudanças nas equipes aconteceram em amistosos, o que é comum. São fases de testes para o treinador. Ou treinadores, no caso da Argentina. Desde 2016, passaram pelo comando Gerardo Martino, Edgardo Bauza, Jorge Sampaoli e Lionel Scaloni.

Mas no período, a Argentina teve quatro jogos na Copa América de 2016 sem repetir os mesmos titulares, depois as 18 rodadas das eliminatórias sul-americanas para o Mundial da Rússia. Nesta Copa América, já foram três partidas.

"Eu não posso dizer se vou ser titular. Eu entrei [contra o Qatar] e acho que fui bem. Agora é com o técnico", despistou Acuña.

Ele nem sequer estava com muita vontade de encarar os jornalistas. Quando o assessor de imprensa da AFA (Associação de Futebol Argentino) lhe pediu para dar entrevistas, ele levou as duas mãos à boca, como quem não tem nada a dizer.

E quando o fez, quase se traiu.

"Estamos bem no ataque...", começou a resposta e em uma fração de segundo percebeu que precisava consertar.

"...e na defesa também", emendou.

O que é uma declaração a ser vista com desconfiança. Se a Argentina estivesse tão bem no ataque e na defesa, não teria jogado tão mal como jogou até agora na Copa América. Nem teria trocado a escalação 39 vezes em 39 partidas.

ALEX SABINO
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) 

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