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Coordenadores apontam desafios no trabalho com venezuelanos

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Foto: Ascom/Semcaspi

Aprendizado. É com essa palavra que o coordenador do abrigo do CSU do Buenos Aires, Charles Oliveira, definiu o trabalho desenvolvido com os venezuelanos refugiados que foram abrigados na última quinta-feira (04) no novo espaço que foi cedido pelo Governo do Estado e está sendo administrado pela Prefeitura de Teresina, através da Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi).

A transferência foi acompanhada por uma equipe multidisciplinar composta por assistentes sociais, agentes de proteção social, organizações não governamentais e representantes do poder público.

Charles, que é técnico administrativo e graduando em Arqueologia, apontou que a cultura indígena e a língua nativa são os primeiros desafios que têm encontrado para desenvolver um diálogo e convivência com os venezuelanos. Além dele, o local conta com o apoio de voluntários das mais diversas religiões e moradores da região que tentam atender as necessidades dos migrantes.

“Nós acolhemos nesse espaço dois grupos indígenas do povo Warao, entre homens, mulheres, crianças e idosos, que estavam na Pastoral de Rua e do MP3. Atualmente, a quantidade de venezuelanos no espaço caiu para 90, devido alguns que estavam acolhidos no KM7 e vieram pra cá terem decididos retornar para São Luís, no Maranhão”, disse o coordenador.

Como os venezuelanos possuem comportamentos socioculturais próprios, os coordenadores e voluntários estão buscando a melhor forma de abordagem para desenvolver os primeiros trabalhos na parte de alimentação, estrutura e higiene pessoal.

“Nós queremos aprender os costumes deles para fazer uma tradução e apresentar a nossa cultura para eles. O povo da etnia Warao gosta de área livre, até porque eles saíram de um local de Delta onde realizavam a pesca, caça e buscavam frutas na floresta, o que aqui foi traduzido para mendicância. No entanto, a Semcaspi tem conseguindo manter esse diálogo e dá toda assistência necessária para que eles não possam transgredir a lei”, completou Charles.

O coordenador do abrigo acrescentou que eles estão se alimentando a base de peixes, frangos, arroz, macarrão, bananas, batatas, melancia, macaxeira, alimentos providenciados pela Semcaspi. “A nossa maior dificuldade ainda está no padrão cultural e a língua, apesar de que alguns falam o Espanhol. É sempre bom deixar claro que eles não são nômades, apenas adotaram uma medida extrema para fugir da situação política que se encontra na Venezuela”, completou.

Quem tem ajudado no diálogo com os venezuelanos através do idioma espanhol é o voluntário e pastor da Igreja Batista Canaã, José de Ribamar, que conseguiu desenvolver uma amizade com os migrantes que estavam no bairro Mocambinho.

“Eu os conheci há um mês nos primeiros contatos no bairro Mocambinho em que nós servimos água e levamos ao médico. Como eu falo um pouco o espanhol e alguns deles estão se esforçando para entender e dialogar nessa língua, nós estamos conseguido desenvolver uma comunicação. Nós já tivemos a oportunidade de mediar alguns conflitos em que eles tiveram entre si”, disse o pastor.

Assim como aconteceu no CSU do Buenos Aires, a Semcaspi delegou ao assistente social Ramon Araújo a missão de coordenar o abrigo Piratinga, localizado no bairro Poti Velho. Apesar de alguns venezuelanos estarem abrigados no espaço, a Semcaspi planeja promover algumas alterações estruturais para desenvolver ações e atividades com os migrantes.

“Na realidade, os venezuelanos se encontram no espaço, mas nós estamos em fase de estudos para adotar as primeiras medidas no abrigo Piratinga. Nosso trabalho será de iniciar uma série de ações e atividades com os venezuelanos que estão abrigados, contando com a ajuda de educadores sociais, psicólogos e assistentes que estão sendo contratados para participar desse processo”, explicou.

 

Da redação
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Tags: venezuelanos
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