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Economia

40% dos usuários de cheque especial recorrem ao limite extra todos os meses

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Foto: Arquivo / Agência Brasil

O cheque especial é uma das modalidades de crédito mais caras do mercado, mas nem por isso o consumidor brasileiro tem evitado usar esse limite disponível na conta, que muitas vezes é fácil de ser obtido. Uma pesquisa feita em todas as capitais pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) revela que, em cada dez brasileiros, dois (20%) recorreram ao cheque especial em algum momento nos 12 meses anteriores ao levantamento, percentual próxima aos 17% observados na mesma pesquisa do ano passado.

O cheque especial é uma linha de crédito pré-aprovada, oferecida pelos bancos e, geralmente, utilizada de forma automática pelo cliente quando não há saldo suficiente para cobrir os débitos em sua conta bancária. Em média, os juros cobrados são de 320% ao ano, superiores inclusive ao cartão de crédito rotativo, segundo dados oficiais do Banco Central.

De acordo com a pesquisa, apenas 24% das pessoas que usaram o cheque especial no último ano solicitaram o crédito de forma espontânea. A maior parte (68%) disse ter recebido o limite de forma automática ou a partir de uma oferta, sem a solicitação direta ao banco ou instituição financeira. Outra constatação é que somente três (33%) em cada dez usuários do cheque especial buscaram outras alternativas de crédito para conseguir o dinheiro que precisava antes de recorrer ao limite fornecido pelo banco.

A pesquisa revela que entre as motivações para recorrer a esse saldo extra, há um misto de falta de controle das finanças e eventos inesperados. Os imprevistos  com doenças ou compra de medicamentos (25%) e o descontrole no pagamento das contas (25%) foram as principais razões do uso do limite do cheque especial. Há ainda pessoas que apelaram a esse dinheiro porque estavam com pagamentos de contas a vencer (23%) ou porque foram surpreendidas com a necessidade de manutenção do automóvel ou moto (18%).

Outro dado que inspira preocupação é que 38% dos entrevistados não analisaram as tarifas e juros envolvidos, principalmente, porque precisavam do valor, independentemente dos custos (25%), não perceberam que entraram no cheque especial (7%) ou por falta de interesse (6%). Parte significativa (43%) desconhece o valor dos juros e taxas que os bancos cobram no cheque especial e mais de um terço (34%) ficou com o ‘nome sujo’ por não honrar com o pagamento.

Outra modalidade também investigada pela pesquisa foram os empréstimos feitos em bancos ou demais instituições financeiras. A constatação é que a maior parte dessas pessoas pega dinheiro emprestado para cobrir desarranjos orçamentários. Em 21% dos casos, o dinheiro serviu para honrar compromissos com despesas básicas, como água, luz, telefone, condomínio e estudos, por exemplo. O mesmo percentual de 21% foi para quitação de outras dívidas, como empréstimos, cartão de crédito e prestações de compras. Em seguida aparecem a reforma da residência (16%), viagens (16%) e pagamento de exames, remédios ou consultas médicas (12%).

De modo geral, 18% dos consumidores brasileiros contraíram algum empréstimo pessoal em banco ou financeira nos 12 meses anteriores à pesquisa e 14% fizeram uso do crédito consignado, modalidade em que as parcelas são descontadas diretamente do salário ou da aposentadoria. Em média, os entrevistados possuem dois empréstimos e estão com 17 parcelas a pagar.

Fonte: CNDL e SPC

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