Cidadeverde.com
Geral

Com 90% das cidades sem órgãos de defesa da mulher, 16 dias de ativismo quer ampliar rede

Imprimir

Fotos: Roberta Aline/ Arquivo Cidadeverde.com

Resultado de uma mobilização global para combater a violência contra mulheres, no Piauí a ação “16 Dias de Ativismo” quer criar novos mecanismos de defesa da mulher no interior promover o enfrentamento a grupos mais vulneráveis socialmente, como as mulheres negras. Nesta segunda-feira (25) é celebrado o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres.

A coordenadora estadual de Políticas para as Mulheres, Zenaide Lustosa, explica que o foco da programação será 10 cidades do interior do estado localizadas em cinco territórios: Serra da Capivara, Planície Litorânea, Chapada Vale dos Mangabeiras, Entre Rios, Vale do Rio Piauí e Itaueiras e Cocais. A programação foi lançada na última quarta-feira (20), no Palácio de Karnak, no dia da Consciência Negra.

Mais de 90% dos municípios do Piauí ainda não possuem órgãos ou diretorias voltados para mulheres. De acordo com a Coordenadoria Estadual, mais de 400 técnicos e funcionários de prefeituras serão capacitados no atendimento a mulheres vítimas de violência até o final de 2019. 

 “Atualmente, temos 20 municípios que já têm esses organismos de política para as mulheres e estamos fomentando, para até o final do ano termos 30 a 40, e no próximo ano a gente quer aumentar ainda mais”, assinala Zenaide. 

Além de Teresina, municípios como Campo Maior, Parnaíba e São Raimundo Nonato possuem pastas ou diretorias ligadas à promoção dos direitos das mulheres. Secretarias de áreas como Educação, Saúde e Assistência Social, devem se somar à rede de atenção à nível municipal. Em 2019, por exemplo, o Piauí registrou 374 ocorrências de estupro no primeiro semestre, 68% dos casos foram no interior.

“Nossa proposta é fazer uma campanha permanente. Criar uma campanha que debata a Lei Maria da Penha das escolas e um projeto de fortalecimento da rede de atendimento das mulheres no interior. Criar os organismos para as mulheres nos municípios e ampliar os que já existem. É uma responsabilidade que também deve ser tocada pelas prefeituras, queremos fomentar isso”, disse Zenaide. 

As atividades ocorrerão em escolas públicas e comunidades dos municípios onde serão levantados debates sobre feminicídio, a situação da mulher na sociedade, seus direitos, além do enfrentamento às diversas formas de racismo e a violência contra a mulher negra. O debate será promovido em palestras, rodas de conversas e blitz nas ruas.

Foto: Ccom

Regina Sousa em solenidade de lançamento.

Prevenção

Uma das pautas que serão reforçadas nos “16 Dias de Ativismo” é a prevenção das violências de gênero por meio dos serviços públicos que assistem mulheres em situação de vulnerabilidade.

“A falta de denúncia ainda é um gargalo. Queremos provocar o debate de que o machismo mata e que o feminicídio deve ser combatido pela conscientização das mulheres, pela informação”, avalia a coordenadora estadual.

A profissionalização também é um dos eixos que devem ser trabalhados. A dependência financeira, segundo Zenaide, pode fortalecer vínculos de dependência e situações de violência. 

“A partir da autonomia das mulheres elas têm mais condições de sair do ciclo de violência, além da questão da educação para a denúncia e sobre direitos”. 

O cenário de organização de mulheres, presente principalmente entre jovens, deve ser potencializado nos “16 Dias de Ativismo”. 

Foto: Roberta Aline/ Arquivo Cidadeverde.com

Mulheres negras

Quase 90% das vítimas de homicídio no Piauí são negras, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que dos 626 homicídios registrados no estado em 2017, 549 foram de negros, representando 87% das vítimas. No Brasil, a média é de 80%. O levantamento também aponta que 75% das mulheres vítimas de homicídio no Piauí são negras. Isso porque dos 52 feminicídios registrados no estado em 2017, 39 foram de mulheres negras.

“A mulher negra sofre violência duplamente. Ela sofre o racismo, sofre a violência doméstica mais que as não-negras. A Coordenadoria acerta e a ONU com esse programa para a gente ver se minimiza essa situação”, disse a vice-governadora, Regina Sousa.

Foto: Roberta Aline/ Arquivo Cidadeverde.com

Calendário

No dia 25 de novembro será celebrado o dia internacional da não-violência às mulheres. No dia 6 de dezembro, a campanha laço branco, promove a mobilização dos homens no combate aos crimes de gênero. No dia 10 de dezembro, o dia nacional de Direitos Humanos conclui a ação no Piauí. 

 

Valmir Macêdo
[email protected]

Imprimir