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Movimento repudia grupo de "cavaleiros templários" que invadiu ato de mulheres

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O protesto contra a violência as mulheres, realizado no último sábado (21) ainda repercute. 

A divergência teve início quando o movimento de mulheres protestavam no adro da igreja São Benedito e foram surpreendidas com um grupo de jovens fantasiados com roupas de "cavaleiros templários" condenando o ato das ativistas.

Segundo relatos das mulheres, os jovens criticavam o protesto e diziam que as mulheres deveriam "procurar um lavado de roupa" e defendiam a volta da inquisição.

O confronto dos tais "cavaleiros templários", numa simbologia a ordem militar de cavalaria da época das Cruzadas, ganhou repercussão na internet. Os jovem afirmavam que são "católicos" e que viam o ato como desrespeito a igreja. 

Muitos internautas defenderam e aprovaram a ação dos jovens e criticavam as ativistas.

O movimento de mulheres vai se reunir, e definir ações contra os ataques sofridos. 

Patrícia Amália Castro, que é diretora de relações interinstitucionais e ações temáticas da Coordenação Estadual de Mulheres, classificou como um desrespeito a invasão dos jovens tanto para o movimento de mulheres como para as mães de vítimas assassinadas que participavam do ato.

"É um acinte. A nossa manifestação é pacífica, legítima e cresce no mundo inteiro. E não estamos desrespeitando ninguém, as escadarias da igreja São Benedito são palco de várias manifestações", disse Patrícia Amália. 

A delegada Eugênia Villa, que participou do ato, destacou que todo mundo tem direito de se manifestar, mas que o discurso do grupo não tem relação com os dias atuais.

"Não é natural resgatar os cavaleiros templários. Não é com violência que se resolve violência. As mulheres estão morrendo lavando louças assassinadas dentro de casa. O debate é mais profundo", disse.

Sônia Terra, ex-presidente da Secretaria Estadual de Cultura e do movimento negro, vê a reação dos jovens como intolerância e reforça o machismo.

"Ao dizer para as mulheres procurarem um lavado de roupa, já  mostra o discurso machista. Nos sentimos ultrajadas, desrespeitadas, violentadas com atitudes como essas", disse Sônia Terra.   

O que é movimento

O protesto das mulheres é inspirado na performance “Um estuprador no seu caminho”, criada pelo coletivo feminista chileno. Já tem adesão no mundo todo.  

Centenas de mulheres com os olhos vendados fizeram uma coreografia enquanto gritam uma canção que diz: "E a culpa não era minha, nem onde estava, nem como me vestia", diz parte da música criada pelo coletivo feminista Las Tesis, de Valparaíso.

O coletivo Las Tesis foi fundado há pouco mais de um ano, por quatro mulheres chilenas. O objetivo delas é traduzir "teses de autoras feministas em um formato performático com a finalidade de alcançar uma múltipla audiência".

A canção que ganhou o mundo é baseada nos textos da antropóloga feminista argentina Rita Segato.

No Piauí, os índices de violências são assustadores e já foram registrados 137 casos de feminicídios desde o início da lei (2015) até este ano. 

 

Flash Yala Sena
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