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Covid-19: Pets não são riscos para contaminação de humanos, afirma especialista

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O Coronavirus não é um agente etiológico novo para a ciência. Esta classe de agentes infecciosos já é descrita em vários mamíferos como por exemplo caninos, felinos e bovinos. Porém, com a epidemia da covid-19 que se instalou no mundo, especialmente no início de 2020, muitas atenções têm sido dada também a estas infecções em animais, principalmente pets.
 
Recentemente, um caso ocorrido em Hong Kong gerou um “alerta” para os donos de animais domésticos. Um cão da raça “Lulu da Pomerânia” foi positivado para o novo coronavirus “humano” (CoVid-19).  No entanto, ainda não se tem confirmação que este cachorro possa retransmitir o vírus.
 
Segundo o Prof. Mauricio Barbosa, Médico Veterinário e Coordenador do Mestrado profissional em biotecnologia e atenção básica da saúde da Unifacid, epidemiologicamente, o caso não tem tanta importância frente a toda crise para espécie humana. “Os vírus são seres de fácil mutação, mas para que as mutações sejam significativas existe a necessidade de que ela se instale em uma população, o que não ocorreu com apenas este caso”, completa.
 
O Professor destaca que estruturalmente o coronavírus dos animais e dos seres humanos se assemelham, mas não migram de um animal para outro. Sintomatologicamente, a nova coronavirose humana (CoVid-19) apresenta-se com agravamento de quadros respiratórios e/ou gastrointestinais. No caso dos animais, a coronavirose tem maior impacto no sistema gastrointestinal.
 
VACINA PARA ANIMAIS JÁ EXISTE
Diferente da espécie humana, a vacina para animais já existe há muito tempo. Um exemplo é a vacina do início da vida dos cães (dada entre os 30 – 45 dias de vida) que contempla o coronavírus caninos (CCoV). Ela existem também para gatos e bovinos.
 
O veterinário da Unifacid afirma que é um absurdo e de uma ignorância tremenda imaginar que um ser humano possa tomar esta vacina animal para se proteger do coronavirus, como foi sugerido em vídeos pelas redes sociais. 
 
“Os efeitos do uso da vacina em seres humanos não são determinados pois não foi testado. Contudo, os efeitos plausíveis seriam a imunização do indivíduo contra um vírus que não tem nenhuma probabilidade de pegar, além de uma reação alérgica que vai desde efeitos brandos até graves, inclusive a morte”, alerta o especialista.
 
De acordo com o Dr. Maurício Barbosa, o medo por vezes impõe respostas impensadas, como por exemplo fazer com que aumente os casos de abandonos de animais. Esta atitude além de um claro descaso a vida daquele que sempre foi um parceiro em casa é, também, um descaso à saúde pública, posto que estes animais outrora protegidos em casa passam a estar mais expostos à várias doenças, que inclusive podem ser transmitidas para os humanos, como a  leishmaniose (calazar). Isso agravaria o quadro de saúde pública mais a frente.
 
“Em termos epidemiológicos, estaríamos trocando uma doença com o risco de contaminação fictício (reafirmando que o covid-19 não é transmitindo para o cão e vice-versa) e com letalidade menor que 1% por um aumento da probabilidade de surtos epidemiológicos de leishmaniose (um dos exemplos) que tem letalidade de quase 8% para os seres humanos, segundo o último boletim de saúde do Ministério da Saúde (2019)”, completa.
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