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Perfis no Twitter denunciam fraudes no sistema de cotas; Ufpi abre investigação

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Supostas fraudes no sistema de cotas da Universidade Federal do Piauí (Ufpi) movimentaram a rede social Twitter, na tarde dessa quinta-feira (4). Os perfis anônimos @cotaspi e @fraudecotapiaui denunciaram as possíveis irregularidades.

Na manhã de hoje(05), uma das páginas saiu do ar e a outra apagou as publicações.  Segundo os posts, pelo menos dez candidatos que, suspostamente de forma fraudulenta se autodeclaram negros, pardos, índigenas e deficientes físicos, conseguiram  ingressar na Ufpi através sistema de cotas. 

Alguns nomes expostos são de estudantes de medicina que, aparentemente, não atendem aos perfis que devem ser beneficiados  pela modalidade de cotas.  A Ufpi garante que todos os casos serão investigados, inclusive, um dos  "denunciados" já possui processo aberto na esfera judicial e outros tiveram a matrícula cancelada anteriormente.

A pró-reitora de Ensino de Graduação, professora Romina Paradizo, admite ao Cidadeverde.com há um “número grande” de denúncias de supostas fraudes ao sistema de cotas na universidade, mas que todos casos são apurados. O curso mais procurado pelos fraudadores, segundo ela, é medicina. 

"De 2017 para cá foram abertos 32 processos. Em todas denúncias são abertos processos.Grande parte teve matrícula cancelada, os que foram constatados a fraude tiveram matrícula cancelada. Importante ressaltar que toda denúncia é aberto processo. A gente não deixa de investigar nenhuma", ressalta a Pró-Reitora. 

Por causa do número de fraudes e com objetivo de reduzir as ações fraudulentas, no ano passado a Ufpi criou a Comissão de Heteroidentificação, que faz avaliação das autodeclarações. O grupo é formado por professores, alunos, técnicos e representantes de movimentos sociais.

“De 2019.2 pra cá não tivemos denúncia. Hoje temos um filtro muito maior para combater essa fraudes e para garantir o acesso democrático a universidade. Sobre os casos expostos, alguns já estão inclusive, com processo aberto na esfera judicial. Todos serão com certeza investigados. Nenhuma denuncia fica sem ser investigada com todos tramites administrativos e legais”, garante a Pró-Reitora. 

A pró-reitora garante, ainda, que a Ufpi não compactua com quaisquer tipos de ações fraudulentas que retirem o direito à Educação Pública, Gratuita e de Qualidade conquistados pela população brasileira.  

“Compreendemos que as cotas se constituem como um importante mecanismo de enfrentamento ao racismo e ao preconceito em nosso país, assim como permitem a reparação de desigualdades econômicas, sociais e educacionais determinadas historicamente no Brasil”, ressalta.

Veja nota da Ufpi na íntegra

"Vimos a público reiterar o compromisso da Universidade Federal do Piauí com a sociedade brasileira quanto ao integral cumprimento do disposto legal que regulamenta o acesso ao Ensino Superior pela modalidade de cotas, determinado pela Lei Federal nº12.711/12. Assim sendo, reafirmamos que não compactuamos com quaisquer tipos de ações fraudulentas que retirem o direito à Educação Pública, Gratuita e de Qualidade conquistados pela população brasileira.  Compreendemos que as cotas se constituem como um importante mecanismo de enfrentamento ao racismo e ao preconceito em nosso país, assim como permitem a reparação de desigualdades econômicas, sociais e educacionais determinadas historicamente no Brasil.  Esclarecemos, ainda, que, a partir do processo seletivo SISU 2019.2, adotamos a validação racial, mediante à implantação das Comissões de Validação de Autodeclaração Étnico-racial, como aprimoramento do processo de seleção para nossos cursos de graduação, bem como numa tentativa de reduzir investidas fraudulentas.  Além disso, a UFPI tem assumido como padrão de conduta a investigação de todas as denúncias apresentadas, respeitando, sempre, a devida tramitação do processo legal e o direito ao contraditório e à ampla defesa, assim todos os casos apresentados são e continuarão sendo devidamente apurados. Por fim, reiteramos nosso compromisso com a busca pela garantia de que os verdadeiros destinatários das ações afirmativas sejam, de fato, aqueles a ocuparem as vagas que lhes são asseguradas, pois só assim poderemos contribuir institucionalmente para a produção de uma sociedade mais justa e cônscia de seus direitos e deveres", Profa. Romina Paradizo

 

Izabella Pimentel
[email protected]

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