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Suspensão de teste não compromete pesquisa da vacina, diz especialista em imunização

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Em entrevista à TV Cidade Verde, nesta quarta-feira (9), a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm), médica Isabella Ballalai, acredita ser "pouco provável"  que a vacina experimental contra a Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford tenha provocado a manifestação de uma doença em dos voluntários da pesquisa.

A AstraZeneca e a Universidade de Oxford suspenderam temporariamente os testes da sua vacina, que  já estão na fase 3, após um voluntário inglês, desenvolver uma suposta reação adversa. O homem teria desenvolvido mielite transversal, uma síndrome inflamatória que afeta a medula espinhal.

"O evento adverso pode ter sido causado pela vacina ou não. É muito provável que esse caso não tenha sido causado pela vacina. A vacina não contém um vírus capaz de causar infecção. É uma doença rara  a mielite transversa e normalmente quando se manifesta se manifesta sem um motivo aparente que faz a gente ter que verificar antes de dar continuidade à aplicação de novas doses em voluntários. Tem que ver se esse diagnóstico tem uma relação casual com a vacina ou não", disse a vice- presidente da Sociedade Brasileira de Imunização.

A notícia da suspensão temporária dos testes causou preocupação e descontentamento em brasileiros que aguardam ansiosamente uma vacina contra o coronavírus. Mas, Isabella Ballalai afirma que o procedimento é rotineira e demonstra transparência na pesquisa. 

"É um procedimento normal, demonstra que há transparência e também segurança na pesquisa. Eu só prefiro usar a expressão evento adverso e não reação adversa. O evento  adverso é uma situação que acontece relacionada temporamente com a vacinação. A pesquisa visa justamente procurar confirmar segurança da vacina", explica. 

Isabella Ballalai explica que, após a investigação, caso seja descartada a possibilidade do voluntário ter contraído a doença por causa da vacina, a pesquisa retoma de onde parou. No momento só está suspensa a continuidade da aplicação das vacinas.

Sobre a quantidade de pessoas que precisam ser vacinadas para que a pandemia seja controlada, a vice- presidente da Sociedade Brasileira de Imunização disse que ainda não é possível fazer definições neste sentido.

"A gente ainda está aprendendo , a gente ainda precisa de dados que a gente chama de proteção de rebanho. A gente precisa ver se a vacina vai ser capaz de evitar a infecção ou não. Se ela não evita a infecção, mas, evita o quadro grave, proteção de rebanho não existir. Se ela evita a infecção a gente pode pensar em proteção de rebanho. São vários fatores que não são possíveis ainda responder", analisa.


Izabella Pimentel
[email protected] 

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