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Empresária que perdeu mãe para Covid-19 recepciona pacientes de Manaus no HU

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A empresária Raimunda Andrade fechou o seu estabelecimento nesta sexta-feira (15) e foi ao Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU UFPI) recepcionar e prestar solidariedade aos pacientes de Manaus que chegaram em Teresina hoje. A empresária perdeu a mãe para a Covid-19 no dia 26 de julho de 2020. A mãe ficou internada por 26 dias.  

Raimunda Andrade é proprietária de um salão de beleza, localizado na zona Leste de Teresina, e foi ao HU acompanhada da Maria José, funcionário da empresa. Ela também teve outros familiares que testaram positivo para o novo coronavírus. Elas ficaram durante toda a manhã na porta de entrada do HU até que último paciente de Manaus entrasse para internação. 

“Minha mãe foi acometida pela Covid-19. Nós tivemos o prazer de acompanhá-la, de suprir sua necessidade de afeto, de carinho, minha mãe ficou muito feliz com isso. Imaginar que uma pessoa que vem de outro estado possa se sentir só, com uma doença que é muito discriminada por muitas pessoas, que as pessoas querem distância, é triste", disse a empresária. 

Os pacientes vieram em avião da FAB (Força Aérea Brasileira) e houve atrasos devido a escassez de oxigênio em Manaus. Inicialmente, a previsão era do HU receber 30 pacientes, mas o número reduziu para nove pacientes, devido a logística no voo. Os pacientes foram transferidos para o Piauí após colapso no sistema de saude de Manaus com o aumento de pessoas internadas, infectadas pelo novo coronavírus, e a falta de oxigênio para tratamento. Outros estados receberam pacientes. 

Foto: Lucas Oliveira/Cidadeverde.com 

A empresária conta que foi até o HU com um cartaz para que os paciente se sintam acolhidos, “passar um pouco de afeto para essas pessoas, que estão em um lugar que elas não conhecem”. 

“Muitas pessoas estão padecendo desse mal, não só as pessoas de Manaus. Muitos teresinenses, piauienses, estão sofrendo com esse mal. Então, saber que têm pessoas torcendo por suas recuperações, orando por elas, é o desejo do nosso coração. Poder fazer com que essas pessoas se sintam bem, pelo menos sentir que tem alguém torcendo por elas. Saber que têm pessoas torcendo por elas, além de seus familiares”. 

Raimunda ressalta que muitas pessoas da família testaram positivo para o novo coronavírus, desde o início da pandemia em março de 2020.  

“Meu esposo pegou, logo depois minha mãe, meu pai, minha sogra. De lá para cá, os familiares estão pegando.  Atualmente, meu irmão, que mora em Rondônia, está se recuperando em casa; uma sobrinha aqui em Teresina, mas está se tratando em casa. Tenho também uma irmã em Rondônia que está saindo do quadro de quarentena, e a filha dela também”. 


Foto: Lucas Oliveira/Cidadeverde.com 


Natanael Souza e Carlienne Carpaso
[email protected] 

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