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Toda a população de SP será vacinada até o fim do ano, diz Doria

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Foto: Governo de São Paulo

 

Toda a população do estado de São Paulo "será vacinada até o fim do ano", afirmou o governador João Doria (PSDB) em entrevista ao UOL nesta terça-feira (2).

"Até o final do ano [a população será vacinada], sim. Vamos seguir o plano nacional de imunização. E onde o plano nacional não atuar, o plano estadual vai", afirmou Doria.

São Paulo está imunizando a população com doses da Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e produzida pelo Instituto Butantan, e também com a vacina de Oxford/AstraZeneca. O estado recebeu mais de 500 mil doses do imunizante desenvolvido pela universidade britânica.

O governador citou como exemplo de funcionamento do plano estadual a vacinação dos quilombolas –o grupo fazia parte dos prioritários a serem vacinados contra a covid-19 no plano divulgado pelo estado em dezembro de 2020. Em janeiro, no entanto, eles não estavam mais na lista daqueles que seriam imunizados em São Paulo.

Doria atribuiu a exclusão a uma ação do Ministério da Saúde, que teria retirado os quilombolas da fase inicial do PNI (Plano Nacional de Imunização). Após reportagem do portal G1, o governador determinou a inclusão do grupo no plano estadual. "Por que a exclusão dos quilombolas? Só por que são negros, são pobres, não podem bajular o presidente Jair Bolsonaro?", disse hoje o governador paulista.

Sobre o risco de faltarem doses para a segunda aplicação das vacinas –tanto a Coronavac como a vacina de Oxford requerem uma segunda dose –, Doria garantiu que o estado não enfrentará esse problema. "Aqui não há risco. Teremos a segunda dose para todos que tomaram a primeira", afirmou.
Para o governador de São Paulo, o Butantan está "sustentando" a vacinação até agora no país, e é preciso investir na aquisição de mais vacinas. O tucano disse ainda que o governo federal "errou feio" ao apostar em uma única vacina, a de Oxford.

"Nós precisamos que o governo federal forneça mais vacinas", declarou. "O governo federal errou, e errou feio, ao escolher uma vacina. Hoje, o que sustenta o programa nacional é a vacina do Butantan, que chegou a ser proibida pelo presidente Jair Bolsonaro. Esse é o enfrentamento. Precisamos de mais vacinas", afirmou.

O estado de São Paulo foi o primeiro a iniciar a imunização contra a covid-19 no Brasil. No dia 17 de janeiro, quando a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou o uso emergencial da Coronavac, Doria iniciou a vacinação dos profissionais de saúde.

Para Doria, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contribuiu para que houvesse atraso no início da campanha de imunização no país –o governador, inclusive, acusou o governo federal de "sabotagem" ao resistir em aceitar em aceitar a vacina produzida pelo laboratório chinês Sinovac e pelo Instituto Butantan e de interferir na decisão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de aprovar o imunizante.

Perguntado se considera que o presidente pode ser chamado de genocida, Doria afirmou que Bolsonaro está "caminhando" para ser classificado assim: "Não por mim, mas pela ciência e por tribunais internacionais".

Vacinas no SUS x clínicas particulares Para o governador de São Paulo, a prioridade no recebimento das vacinas contra a covid-19 deve ser do SUS (Sistema Único de Saúde), e não das clínicas particulares.

"Prioridade é o SUS. Nós temos que vacinar todos os brasileiros, e gratuitamente. As clínicas particulares só deveriam ter vacina após o SUS", disse. Doria afirmou, ainda, que "privilegiar os ricos não é correto".

Um dos primeiros governadores a decretar quarentena, em março de 2020, Doria declarou que recebe "ameaças" desde então. Disse, no entanto, que não tem medo.

"Mortos não consomem, não vão a restaurantes, não fazem compras. Nós precisamos preservar a vida. Ao invés de [Bolsonaro] orientar corretamente a população, é negacionista. Você não pode ser um agente homicida. Não tenho medo de intimidação, cara feia e ameaças. Recebo ameaças desde que decretamos a primeira quarentena em São Paulo", afirmou o governador, comentando sobre restrições impostas ao comércio e a municípios do estado.

ELEIÇÃO DE LIRA
Doria também classificou a vitória de Arthur Lira (PP-AL), que foi eleito presidente da Câmara dos Deputados, como um episódio "lamentável" para o Brasil. Aliado do presidente Jair Bolsonaro, Lira foi eleito com 302 votos, mais do que o dobro recebido por seu principal adversário, Baleia Rossi (MDB-SP).
O governo Bolsonaro fez forte campanha nos bastidores para garantir a eleição de Lira, que envolveu a promessa de emendas e de cargos em troca de votos. Para Doria, a "compra de votos venceu a eleição". "É lamentável para o Brasil ter compra de votos. Eu lamento a vitória de Arthur Lira, porque não representa a vitória da democracia", disse.

O governador afirmou ainda que o chamado Centrão, grupo que reúne diversos partidos de centro-direita –entre eles o de Lira– vai "cobrar" a conta do governo Bolsonaro e que o Brasil vai "sofrer" com Lira na presidência da Câmara.

Impeachment e arrependimento do "Bolsodoria" Perguntado se é favorável à abertura de um processo de impeachment contra Bolsonaro, no entanto, Doria evitou responder. Em diversas ocasiões, disse se tratar de uma questão cuja análise cabe ao Congresso. "Não é o João Doria, governador de São Paulo, que tem que achar isso, é o Congresso Nacional. Cabe ao Congresso fazer esse julgamento, e não a mim".

O governador, por outro lado, se disse arrependido por ter apoiado publicamente a candidatura de Bolsonaro para as eleições presidenciais de 2018. "Não tenho compromisso com o erro. Foi um enorme erro, meu e de milhares de brasileiros. Nós temos um governo que de liberal só tem o discurso. É uma tristeza para o Brasil", afirmou.

Fonte: Folhapress

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