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Um ano após adiamento dos Jogos, Brasil vê 40% das vagas olímpicas em aberto

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A quatro meses da Olimpíada de Tóquio e um ano depois do anúncio de adiamento do megaevento de 2020 para 2021, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) estima que o país ainda tenha cerca de 40% das vagas de atletas indefinidas.

A dúvida quanto à realização de torneios pré-olímpicos e sobre critérios classificatórios acontece no momento em que Brasil vive o pior momento da pandemia de Covid-19, com escalada nos casos de infecções e óbitos em decorrência do vírus.

Sede da Olimpíada, o Japão tenta viabilizá-la, enquanto o comitê organizador e o COI (Comitê Olímpico Internacional) sustentam que a cerimônia de abertura acontecerá em 23 de julho. Na noite desta quarta (24) será dado início em Fukushima ao revezamento da tocha por cidades do Japão.

Mesmo que realizada, é fato que essa edição da Olimpíada será como nenhuma outra, com testagem constante de atletas e restrições de movimentação para todos os envolvidos. Não será obrigatório estar vacinado contra a Covid-19, segundo os organizadores têm reafirmado nas últimas semanas.

No último sábado (20), foi feito o primeiro grande anúncio concreto sobre proibições, no caso da presença de torcedores de fora do Japão. A venda de ingressos é a terceira maior receita da Olimpíada, atrás dos direitos de televisão e patrocinadores.

Na segunda (22), o veto foi estendido a voluntários estrangeiros –cerca de 500 ainda poderão ser liberados.

Enquanto isso, no Brasil não há uma perspectiva de melhora sanitária a curto prazo e sobram incertezas sobre com quais forças a delegação verde-amarela seguirá para o Japão.
O país asiático contabilizou até esta quarta 8.908 óbitos em decorrência da Covid-19 e 458.621 pessoas infectadas pelo coronavírus. 

Um número bem abaixo em comparação ao Brasil: 12,1 milhões de casos e 298.676 mortes até terça.

Quando o evento foi adiado, o Japão tinha 1.166 pessoas infectadas e 41 óbitos, e o Brasil, 47 mortes e 2.271 casos.

Diante deste quadro, outras nações estão proibindo o desembarque de brasileiros em competições, o que afeta o planejamento das equipes, e há uma série de pré-olímpicos sob ameaça.

O Brasil confirmou 197 vagas até agora (muitas pertencem ao país, mas ainda não são nominais para os atletas), e a meta traçada pelo COB é buscar até mais 100.

"Existem entre 35% a 40% de vagas ainda em aberto para a participação em todos os eventos dos Jogos de Tóquio. Temos a expectativa de classificar ainda de 70 a 100 atletas mais", afirma o diretor de esporte do COB, Jorge Bichara.

Com a proibição de atividades esportivas, adotadas por governadores e prefeitos como medida para conter o avanço de casos da Covid-19, Bichara admite preocupação com a preparação dos atletas e diz que o COB pode reativar a Missão Europa. 

No ano passado, a entidade levou 238 atletas de 24 modalidades para treinarem no continente, principalmente em Portugal.

"Atletas de todo o mundo estão sendo prejudicados pelas diversas restrições. Essa é uma das principais preocupações do COB e a orientação é que nos adaptemos e busquemos soluções para dar as melhores condições de preparação para todos", completa Bichara.

De abril a junho, os brasileiros terão eventos classificatórios de natação, saltos ornamentais, wrestling, caratê, tiro com arco e rúgbi.

A CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) marcou a seletiva nacional para os dias 19 a 24 de abril, no Parque Aquático Maria Lenk, no Rio de Janeiro.

Apesar de o evento em tese ser a única chance de garantir vaga, caso algum nadador seja infectado a partir de 19 de março, poderá ter outra oportunidade em data mais próxima aos Jogos Olímpicos.

No caso de eventos no exterior, atletas brasileiros vivem sob aflição de não serem aceitos pela imigração. Em fevereiro, o time de polo aquático masculino foi impedido, ainda no aeroporto do Galeão, no Rio, de embarcar para disputar o classificatório em Roterdã, na Holanda.

A equipe deixaria o Brasil, no dia 30 de janeiro, com escala em Portugal e um período de treinamento na Alemanha, mas os europeus restringiram voos com origem ou destino ao Brasil.

"Há restrições para circulação e uma redução considerável da malha aérea, com muitos voos cancelados. Então, isso pode impactar no planejamento logístico da ida dos atletas aos pré-olímpicos", reconhece Bichara.

O COB e a CBDA pediram ajuda ao governo da Holanda, que entregou uma carta de autorização para a seleção. A equipe foi derrotada em seus quatro jogos -por Canadá, Grécia, Montenegro e Geórgia- e não tem mais chances de ir aos Jogos.

O aumento de casos faz com que países do continente americano também imponham quarentenas a brasileiros, como o Chile anunciou no último fim de semana.

A seleção brasileira masculina de basquete foi impedida de entrar na Colômbia. O ciclista Henrique Avancini, grande nome da modalidade MTB, perdeu eventos na Espanha e em Porto Rico.

O Japão também acumula problemas com eventos. A seletiva mundial do nado artístico em Tóquio, que será observada como um evento-teste para os Jogos, estava programada para a primeira semana de março, mas foi adiada para maio.

O dueto Laura Miccuci e Luisa Borges, que treina no Parque Aquático Maria Lenk, brigará por uma das sete vagas.

Neste mês, em um pré-olímpico que mudou da Noruega para Montenegro, mas pelo menos aconteceu, a seleção masculina de handebol garantiu sua vaga.

"Esta não é uma questão que se limita ao Brasil, é mundial, mas que certamente pode impactar nessa fase final de preparação para os Jogos. Estamos buscando estratégias para neutralizar esses riscos, mas não é fácil", finaliza Bichara.

ALEX SABINO E CARLOS PETROCILO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) 

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