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Covid cresce em Teresina e médico alerta: “não é tempo de quebrar as normas com coisa fútil”

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Foto: arquivo Cidadeverde.com

O aumento na procura por testes para detectar a covid-19 em 5% e o crescimento de 10% no percentual de positividade na última semana em Teresina, têm deixado os especialistas em alerta. Os dados foram divulgados pela Fundação Municipal de Saúde (FMS). Segundo o infectologista Kelson Veras, os números demonstram o relaxamento da população com as medidas sanitárias de combate à covid-19. 

“Esses dados mostram que as pessoas estão realmente deixando mais de respeitar as medidas de prevenção da covid, ou seja, se aglomerando principalmente em festas e não usando máscaras adequadamente”, afirmou o médico ao Cidadeverde.com.

Segundo ele, a queda no número de casos e de óbitos passa a sensação que a covid está sob controle. No entanto, a situação poderia ser ainda mais confortável se as aglomerações não estivessem acontecendo.

“A sensação de que a doença está cada dia mais sob controle, porém, poderia estar melhor controlada se não fosse a teimosia de pessoas que pensam que não é preciso mais precaução contra a doença. Não é vacina, não é o fato da covid estar diminuindo, é mesmo o comportamento inadequado por parte da população que faz a covid voltar a subir”, alerta.

Além das aglomerações, Kelson Veras chama atenção para a variante Delta do coronavírus. Embora ainda não detectada no estado, ele acredita que a mutação já está circulando no Piauí. O poder de transmissão da variante chega a ser 97% maior do que a cepa original do coronavírus.

“A Delta se transmite para um maior número de pessoas a partir de um infectado. Uma pessoa tem condições de infectar mais gente do que com a variante anterior. Certamente a Delta já está solta aqui”, declarou.

Medidas educativas 

Como forma de tentar prevenir a transmissão da doença por conta de aglomerações, o infectologista defende medidas educativas quando estabelecimentos forem fechados e pessoas dispersadas.

“Nossas autoridades deviam aproveitar esse momento e não só fechar os locais, mas inserir medidas educativas. Por exemplo, as pessoas seriam detidas e colocadas para ouvir uma palestra e relatos de pessoas que tiveram parentes que morreram. Uma coisa bem educativa. Não é só fechar. Por lei poderíamos forçar essas pessoas a assistir uma pequena palestra com relatos, explicar como a doença pega. Sempre que eu vejo essas aglomerações, me pergunto o motivo de as autoridades não estarem aproveitando esse momento para educar”, destaca.

Vacina não impede a transmissão

O médico alerta ainda que a vacina não impede as pessoas de pegarem e transmitir a doença.

“Com uma dose a proteção é muito pequena. Em termos de variante Delta é menor que 50% e com duas doses você ainda pode pegar a doença. O que diminui muito é a chance de você morrer dela. Você pode pegar e pode passar. O fato de ser vacinado não lhe coloca em condições de parar de usar máscara e se aglomerar. Uma pessoa numa festa pode pegar e quando chegar em casa transmitir. Não é tempo de quebrar as normas com coisa fútil que é festa. Festa é algo que dá pra gente viver um bom tempo mais sem ela”, finaliza.

Hérlon Moraes
[email protected]

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